Rui Morais deixa direção executiva da AMA

O presidente da Direção da Banda de Alcobaça revela. em entrevista ao REGIÃO DE CISTER, que, já a partir de setembro, deixará a direção executiva da Banda de Alcobaça/Academia de Música de Alcobaça.

REGIÃO DE CISTER (RC) > Como analisa o resultado da auditoria da Inspeção-Geral da Educação e Ciência, que elogiou a atividade da Banda?
RUI MORAIS (RM) > Quando o nosso trabalho é avaliado de uma forma tão exaustiva e essa avaliação, ainda por mais feita por uma entidade oficial como a Inspeção Geral da Educação e Ciência, que goza de total autonomia no seio do Ministério da Educação, é tão positiva como esta, só podemos ficar satisfeitos. Apesar de nesta casa existir uma filosofia de melhoria constante, seria natural que a auditoria apontasse aspetos menos positivos, devido até à complexidade do projeto educativo, com cerca de 700 alunos a frequentar anualmente os vários cursos vocacionais de música e dança que constam da oferta educativa, muitos dos quais tendo aulas nos próprios estabelecimentos de ensino regular, sendo que oferecemos este curso não só em todo o concelho de Alcobaça, mas também em algumas escolas de Rio Maior e Caldas da Rainha. Ora, apesar desta realidade, quando a auditoria praticamente só tece elogios à nossa gestão e funcionamento, só posso sentir muito orgulho pelo patamar que já atingimos e pela equipa competente e empenhada que tenho tido o prazer de liderar.

RC > Está há quase duas décadas à frente da Banda de Alcobaça. O que ainda há por fazer?

RM > Tem sido um trajeto fantástico. Começámos há quase 20 anos com 18 alunos e temos este ano letivo quase 3.500 alunos nas várias valências, desde o ensino pré-escolar ao sénior, passando pelas atividades de enriquecimento curricular e pelos cursos artísticos especializados, sem esquecer os cursos livres e os projetos para a comunidade, vertente mais social em que temos investido muito. Assistimos portanto, ao longo deste tempo, não só a um crescimento ímpar, mas também à diversificação da atividade, com uma dinâmica sem paralelo a nível nacional:  somos uma das maiores escolas de ensino de música do País, organizamos o Cistermúsica, que é um dos melhores festivais de música erudita do País, já não só de Alcobaça, mas de toda a região chegando inclusive ao norte e sul de Portugal, criámos o Gravíssimo e o Concurso Internacional de Música de Câmara, que entretanto se constituíram também como eventos de referência, só para dar alguns exemplos. Mas assegurámos também, ao longo deste tempo, o funcionamento da nossa Banda de música transformando-a numa Banda Sinfónica vocacionada para grandes concertos, o que permitiu vencer alguns prémios nacionais, por um lado, e marcar presença em alguns dos melhores concursos a nível internacional, por outro. Já para não falar dos quatro discos que gravámos com repertório de referência para este tipo de formação. Como se tudo isto não bastasse, ainda tivemos a ousadia de iniciar um projeto na área da comunicação social, adquirindo o REGIÃO DE CISTER. Por tudo isto, considero que o projeto que iniciei em 1999 está globalmente consolidado, sendo este o momento certo para sair da direção executiva, já a partir de setembro quando começa o próximo ano letivo. 

RC > Mas ficam assuntos pendentes?

RM > Em instituições com esta ambição há sempre assuntos para resolver e novos projetos para agarrar. Dos assuntos por resolver o mais relevante prende-se com as instalações. É uma questão que se arrasta há anos e que continua sem uma solução que permita, pelo menos, resolver o presente, pois quer a Academia de Música quer a de Dança não têm espaços disponíveis, quer ao nível administrativo, quer de salas de aula, que dêem uma resposta adequada às centenas de alunos que temos anualmente e a toda a dinâmica que referi acima. É um processo que se arrasta há mais de uma década e que necessariamente tem de envolver a Câmara. Apesar de haver sensibilidade para o assunto, a a verdade é que nada está decidido em definitivo, mantendo-se uma situação que é totalmente insustentável. É o único dossiê estrutural que não consegui resolver ao longo destes anos, razão pela qual pondero candidatar-me a mais um mandato na presidência da Direção da Banda de Alcobaça. Depois do Cistermúsica haverá, certamente, mais tempo para fazer uma reflexão profunda e tomar uma decisão, ouvindo não só a opinião dos restantes membros dos órgãos sociais, mas também a do presidente da Câmara quanto ao futuro da Banda.