Academia de Música sai de cena em Alcobaça e Benedita

Está instalada a polémica com as Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC) nos concelhos de Alcobaça e Nazaré, que este ano vão sofrer profundas alterações, em face da opção das Câmaras de entregarem a “pasta” aos Agrupamentos de Escolas.
Em Alcobaça, a Academia de Música de Alcobaça (AMA) vai deixar de assegurar as AEC na área das expressões artísticas nas escolas do Agrupamento de Escolas de Cister e do Agrupamento de Escolas da Benedita, mantendo-se apenas com o Agrupamento de Escolas de São Martinho do Porto. Há oito anos que o ensino da música e outras áreas artísticas nas escolas do 1.º ciclo em todo o concelho era assegurado pela AMA, sendo agora esse trabalho interrompido em dois agrupamentos, por falta de acordo com a associação Tempos Brilhantes, entidade parceira do projeto.
“Desenvolvemos este projeto de raíz com base num concurso público que vencemos há oito anos e, durante este período, sob a responsabilidade do município as AEC correram sempre muito bem. Com a saída da Câmara, procurámos saber qual seria o papel da AMA neste novo enquadramento e foi-nos dito pelos Agrupamentos que o projeto da Academia ficaria salvaguardado, independentemente da entidade que ficasse a gerir as AEC, mas, chegados ao início do ano letivo, apenas São Martinho cumpriu a promessa”, afirma Rui Morais, diretor-executivo da AMA, salientando que com a entidade que ficou a gerir as AEC naquele agrupamento, a Know How, “foi fácil chegar” a um acordo.
Os Agrupamentos de Cister e da Benedita optaram por entregar esta área à Tempos Brilhantes e “contrariamente a todas as expetativas criadas”, esta “não se mostra disponível para chegar a um acordo minimamente aceitável para a Academia”. “Foi-nos proposto ficarmos apenas com uma hora nos 3.º e 4.ºs anos, o que corresponde a uma percentagem ínfima do que a AMA assegurou nestes 8 anos nos dois agrupamentos”, revela o dirigente, salientando que a proposta “impossibilita não só o desenvolvimento de um programa pedagógico coerente, ainda que respeitando o projeto da Tempos Brilhantes, mas também a feitura de horários minimamente interessantes para os professores”. 
A AMA, propriedade da Banda de Alcobaça, entidade que adquiriu o REGIÃO DE CISTER, sente-se “profundamente desiludida com todo este processo e não compreende como um projeto pedagógico local com tão bons resultados, de que é exemplo o número significativo de alunos de 4.º ano que querem prosseguir estudos de música no chamado regime articulado, não obteve qualquer abertura da Tempos Brilhantes para encontrar uma solução interessante para ambas as partes”.
A responsável da Tempos Brilhantes para o centro-sul, diz “também lamentar” o não envolvimento da AMA. “Respeitamos as expetativas que a instituição tinha em relação às AEC, mas não é viável o modelo que nos foi apresentado”, salienta Elizabete Eufémia, revelando abertura para “uma colaboração com a AMA no futuro”.
Gaspar Vaz, diretor do Agrupamento de Escolas de Cister, diz que “obviamente” lamenta a saída de cena da AMA no agrupamento, dado “tratar-se de um parceiro de sempre”, mas explica que o projeto da associação Tempos Brilhantes tem um “conceito próprio” que foi aprovado pelo Conselho Geral. “Desde sempre transmitimos à associação que desejávamos o contributo das associações locais, nomeadamente os anteriores parceiros, como parceiros preferenciais, mas o importante para nós é o modelo da Tempos Brilhantes”, salienta o dirigente.
Helena Vinagre, diretora do Agrupamento de Escolas da Benedita, salienta que a entidade “gostaria de dar continuidade” ao trabalho com os parceiros com quem estabeleceu parcerias em anos anteriores, mas que tal dependeria de um acordo “entre os parceiros e a entidade promotora”.
texto   joaquim paulo e luci pais