Sábado, Setembro 26, 2026
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Quando o folclore ultrapassa (muitas) barreiras

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Há músicos profissionais que não sabem ler pautas, mas haver um surdo mudo que dança folclore é ainda mais invulgar. Foi o gosto pela cultura e tradição da Nazaré que levou João Valdemar a integrar o Grupo Etnográfico de Danças e Cantares da Nazaré.

Há músicos profissionais que não sabem ler pautas, mas haver um surdo mudo que dança folclore é ainda mais invulgar. Foi o gosto pela cultura e tradição da Nazaré que levou João Valdemar a integrar o Grupo Etnográfico de Danças e Cantares da Nazaré. E, mesmo sem ouvir as músicas, consegue acompanhar o grupo em todos os viras. 

O que ao início poderia parecer uma barreira, depressa se desvaneceu. Com a ajuda (“e paciência”) de Maria de Lurdes Barqueiro, diretora técnica do grupo, João Valdemar conseguiu decorar todo o cancioneiro do grupo em “cerca de um ano”. “Como não ouve, tem de decorar os passos”, confessa a irmã Joana Murraças, que o ajuda na comunicação com o grupo.

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Foi através de um conjunto de “sinais, truques ou até palavras escritas em papéis” que este nazareno aprendeu todos os passos. E contou com a compreensão dos restantes elementos do grupo que, de acordo com Joana Murraças, sempre fizeram “tudo para que se sentisse integrado”.

Além da dança e etnografia, João Valdemar também tem queda para o desenho e a pintura, desenvolvendo várias pinturas em azulejo no Ceeria, em Alcobaça.

O artista mostrou, com orgulho, ao REGIÃO DE CISTER os desenhos que fez a carvão relacionados com temas da Nazaré antiga, como a chegada dos barcos ao areal depois da pesca, retratos de gentes da terra e até o imponente promontório.

João Valdemar começou por fazer parte do Grupo Etnográfico de Danças e Cantares da Nazaré e transportava vários objetos da vida de pescador e foi Maria de Lurdes Barqueiro que viu nele “potencial” para dançar. Dito e feito. O nazareno encontra-se com os colegas a ensaiar para um musical a apresentar no Cine-teatro da Nazaré, em meados do próximo mês.

E a julgar pelos ensaios, o REGIÃO DE CISTER pode afirmar que este elemento está perfeitamente apto para representar o Grupo Etnográfico de Danças e Cantares da Nazaré, mostrando que a vontade se sobrepõe a todas as barreiras. Basta ousar.

 

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