Quinta-feira, Setembro 24, 2026
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Artesão mantém viva tradição das cestas de vime

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Tinha 8 anos quando o pai lhe ensinou a fazer uma cesta de vime. Aos 12 começou e terminou a sua primeira peça de artesanato. António Inácio tem hoje 62 anos e é um dos únicos da região a fabricar cestas e cestos de vime.

 

Tinha 8 anos quando o pai lhe ensinou a fazer uma cesta de vime. Aos 12 começou e terminou a sua primeira peça de artesanato. António Inácio tem hoje 62 anos e é um dos únicos da região a fabricar cestas e cestos de vime.

Natural da Junqueira, freguesia da Cela, o cesteiro recorda os tempos em que a Feira de Santana, em Rio Maior, era o principal mercado de vendas. “As cestas eram todas para as vindimas e para a agricultura. De 30 de agosto a 3 de setembro, época da apanha da fruta, era uma loucura“, conta o artesão. Com a mudança dos tempos, as cestas produzidas por António Inácio passaram a viajar até à América. “Chegaram a ir muitas e para os mais variados fins“, adianta. Hoje em dia o volume de trabalho é menor, mas “todos os dias faz-se sempre qualquer coisa”. 

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António Inácio conta que depois de uma quebra no negócio daquele ofício há uns dez anos, agora parecem viver-se tempos mais prósperos. “Vamos fazendo umas feiras e vou vendendo o que vão pedindo e o que tenho por lá“, afirma. Há vários modelos de cestas e cestos de vime para os mais variados fins: para a lenha, para a roupa suja da casa de banho, para as motorizadas… a escolha é variada e o tempo de fabrico também. Uma peça, das maiores, pode demorar cerca de cinco horas a ser produzida, enquanto uma das mais pequenas pode demorar uma hora. “É um trabalho minucioso e que envolve muitos processos, mas com o tempo vamos fazendo melhor“, sublinha António Inácio, que tem vendido muitas cestas para a Granja de Cister.

Agricultor de profissão, diz que as cestas e cestos de vime “é um extra”. Mas, a julgar pela participação assídua da Feira de São Bernardo, em Alcobaça, é também uma paixão. O filho, de 50 anos, vai dando uma mãozinha, mas António Inácio lamenta que não haja ninguém interessado em manter viva a tradição. “Chegámos a ser uns dez cesteiros no concelho, agora já não sei de nenhum”, conta o cesteiro, um dos únicos no concelho.

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