Quarta-feira, Junho 29, 2022
Quarta-feira, Junho 29, 2022

Dê lugar ao amor na terra de paixão

Data:

Partilhar artigo:

Alcobaça não se visita, simplesmente. Vive-se. É a cidade entre a serra e mar, onde todos somos convidados a “Dar Lugar ao Amor”.

 

O berço de Alcobaça é no Mosteiro de Santa Maria, onde os amantes D. Pedro e D. Inês de Castro continuam a captar a atenção de milhares de turistas, não fosse esta uma das mais intensas e trágicas narrativas de amor de Portugal. Tal com a história destes dois apaixonados, separados pela intriga e inveja, também a construção do Mosteiro de Santa Maria em Alcobaça combina factos e lendas. Considerada uma das mais importantes abadias cistercienses europeias, classifica pela UNESCO com Património Mundial, não deixa ninguém indiferente. Constituído por um conjunto monástico inigualável, o Mosteiro de Alcobaça apresenta diferentes estilos artísticos: barroco, gótico, manuelino e neogótico. Todos eles presentes em plena harmonia entre si.

Mas os pontos de interesse não se esgotam no monumento Património da Humanidade. Há vários outros motivos de atração, de diferentes géneros e para todos os gostos.

Após a incontornável visita ao Mosteiro de Alcobaça, suba em direção ao Castelo. Não se deixe “desmotivar” pelo aspeto do espaço, porque a vista é simplesmente deslumbrante. Em posição dominante a noroeste sobre a povoação, das suas ruínas tem-se uma bela vista sobre a cidade, inclusive o seu famoso Mosteiro, os campos envolventes e a Serra dos Candeeiros. Uma experiência totalmente gratuita.

 

E como o saber não ocupa lugar, o Museu Raul da Bernarda é também um local a visitar neste roteiro. O espaço museológico, que visa manter viva a memória de mais de 135 anos de atividade cerâmica da família Raul da Bernarda, divide-se em duas exposições: “Os Trajes do Rancho do Alcoa, alusivos à louça de Alcobaça” e “Coleção de Cerâmica Raul da Bernarda”.

Siga caminho em direção àquele que é considerado o maior e mais completo Museu do Vinho português. O Museu do Vinho de Alcobaça possui o acervo museológico mais completo do País na temática vitivinícola, abrangendo aspetos da cultura material do vinho de inquestionável valor histórico, científico, industrial e etnográfico que vão do século XVII ao advento do século XXI. Aprendida a lição, eis que chega a hora de degustar da iguaria. Os vinhos de Alcobaça têm conquistado o paladar dos portugueses e não só. O néctar produzidos pela Quinta dos Capuchos e pela Adega Cooperativa de Alcobaça tem arrecadado vários prémios ao longo dos anos. O segredo? Há quem diga que está no solo e quem acredite que é a dedicação dos produtores da região. Mas se o paladar pede algo mais doce, a Ginja S. M.R., produzida pela empresa David Pinto & Companhia é a escolha certa.

Não “viveu” a cidade de Alcobaça se não deambular pelas ruas e se deixar apaixonar pelas montras embelezadas com os artigos de cerâmica e com as peças de chita. Na “Made in Alcobaça”, em frente ao Mosteiro, há peças de autor inspiradas nos padrões das chitas.

 

Alcobaça além do Património Mundial

Começar a viagem a Sul significa entrar descalço com os pés na areia. A praia de São Martinho do Porto tem provavelmente a mais bela baía do País, de águas calmas e opção mais do que certa para férias em família e brincadeiras de turistas de palmo e meio. A par da praia, única, a vila tem uma vasta oferta gastronómica e tesouros bem guardados, como o túnel sob o morro de Santo António (na parte superior localiza-se o Farol) e as famosas “conchas” doces. Na lista de iguarias da região não podia faltar o mítico pão de ló, ali bem perto, em Alfeizerão.

O passeio segue ao ar livre na Mata Nacional do Vimeiro, um parque natural com 262 hectares, dos quais mais de 90% são arborizados maioritariamente com pinheiro-bravo. É um local de excelência para piqueniques e para caminhadas bem oxigenadas.

A caminho da cidade de Alcobaça é preciso conhecer as memórias da Cela, onde o ousado general Humberto Delgado fundou a quinta de família, na Cela Velha, e onde há um monumento em sua homenagem inaugurado dois anos depois da Revolução de Abril. Da Cela ao Bárrio é um pulinho, bem justificado para conhecer as ruínas de Parreitas, uma estação arqueológica que poderá ter a sua origem na Idade do Ferro e foi romanizada entre os séculos I a IV d.C.

Aljubarrota, lugar de história, tem vários pontos de interesse, a começar pela vila e os vários monumentos e símbolos da mítica batalha, como a pá de Brites de Almeida – escondida durante o domínio filipino e também durante as Invasões Francesas –, ou as estátuas da padeira e de D. Nuno Álvares Pereira. A visita ao Núcleo de Arte Sacra de Aljubarrota também é de inquestionável interesse. É um espaço que conta com um espólio artístico e religioso de grande valor histórico, cultural e litúrgico incorporado numa exposição permanente na Igreja Paroquial de S. Vicente. 

Rumo ao Norte, no Casal da Areia, o Museu Vista Alegre Atlantis é digno de uma visita, bem como o centro de visitas Atlantis, onde é possível conhecer a história de um dos fabricantes de cristal de maior prestígio do mundo e ter contacto direto com o processo do fabrico do cristal.

Em Coz, a visita ao mosteiro feminino proporciona uma viagem com início no século XIII, quando surgiu o conjunto conventual no qual se integra a Igreja de Santa Maria de Coz. O seu surgimento deve-se ao mosteiro de Alcobaça, que ali teria um conjunto de mulheres devotas que auxiliavam em múltiplas tarefas necessárias ao bom funcionamento do mosteiro. A igreja é, literalmente, um santuário ao barroco. Nela evidenciam-se os vários altares de talha dourada, os revestimentos de azulejo, principalmente da sacristia, e os impressionantes caixotões de madeira que constituem o teto que cobre a nave, o coro, a sacristia e o vestíbulo. As pinturas datam do início do século XVIII.

Do Mosteiro vale a pena subir até à Capela de Santa Rita, nome mais comum atribuído à Ermida do Bom Jesus do Calvário de Coz, situada num monte a cerca de 600 metros da localidade, que permite uma bela vista sobre toda a área em redor. Reza a tradição que uma religiosa do Convento de Coz viu no cimo do monte uma luz. Dirigindo-se a esse local viu uma cruz levantada da terra, que levou para o mosteiro. No entanto, essa cruz voltaria misteriosamente para o local onde apareceu, onde está agora a capela, tendo-se repetido este facto algumas vezes.

AD Footer
spot_img

Artigos Relacionados

A leste, algo de novo: o despertar dos impérios

Gostaria de estar mais otimista. Porém, os últimos desenvolvimentos à volta da  Guerra na Ucrânia não me permitem...

Hóquei em patins: Biblioteca conquista torneio de encerramento em Tomar

A equipa de sub-15 da Biblioteca conquistou o torneio de encerramento depois de vencer o Sp. Marinhense (10-4),...

Casal de americanos escolheu Alcobaça para ajudar emigrantes

”Portugal the Place” é o nome da empresa de consultoria gerida por um casal de americanos em... Alcobaça. Colleen...

Concurso Mundial de Bruxelas distingue quatro vinhos de Alcobaça

Os vinhos Montecapucho Arinto 2017, da Quinta dos Capuchos, e Mula Velha Rose 2021, da Parras Wines, foram...

Aceda ao conteúdo premium do Região de Cister!