Domingo, Julho 3, 2022
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Casa Ezequiel: da taberna ao templo do frango assado na Nazaré

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São muitas as histórias que cabem na história da Casa Ezequiel, na Nazaré. A taberna, aberta em 1959, que servia para os pescadores “matarem o bicho” antes de irem para o mar, nas últimas décadas transformou-se num ponto de paragem obrigatório para nazarenos e palecos, mas agora o bicho que ali se “mata” é outro.

São muitas as histórias que cabem na história da Casa Ezequiel, na Nazaré. A taberna, aberta em 1959, que servia para os pescadores “matarem o bicho” antes de irem para o mar, nas últimas décadas transformou-se num ponto de paragem obrigatório para nazarenos e palecos, mas agora o bicho que ali se “mata” é outro.

São os frangos assados que têm dado fama à Casa Ezequiel na região, até porque “servir só copos de vinhos hoje em dia era impensável”.

O espaço foi-se transformando e adaptando aos tempos, vingando a peculiaridade e a qualidade dos frangos daquela casa. Ezequiel dos Santos Afonso, falecido em novembro de 2019, foi o pioneiro de todo o negócio. Abriu a taberna há 62 anos – com balcão em pedra, chão em cimento, bancos de madeira cumpridos e duas pipas grandes de onde jorravam dezenas de litros de “água tinta” diretos para os copos.

“Era uma taberna típica da Nazaré, onde os pescadores vinham muito para ‘aquecer’ antes de irem para o mar”, conta o neto de Ezequiel, que hoje em dia gere o negócio com a mãe Anabela, mais conhecida por Bela, e a tia Rosalina.

Quando o principal negócio ainda eram os “copitos de vinho”, a mulher de Ezequiel – a D. Manuela – ia apanhar caracóis de madrugada para depois os preparar e servir como petisco. Também havia peixe frito, bacalhau com ovo e pastéis de bacalhau. 

Já depois do 25 de Abril, a família começou a virar-se para o negócio dos frangos assados. Montaram na rua, à entrada do estabelecimento comercial, localizado nas imediações do mercado municipal, uns bidões de lata para servir de estrutura ao assador de carvão.

Essa era uma das imagens de marca da Casa Ezequiel. Hoje em dia já não é bem assim, mas os clientes ainda conseguem ver a D. Rosalina a assar os famosos frangos a partir da janela do exterior do espaço. “Somos conhecidos pelos frangos assados e pelo molho que é o nosso segredo”, conta Bela, que é quem prepara os frangos antes de irem para a brasa e os acompanhamentos.

“Temos clientes de todo o lado, estrangeiros, emigrantes, nazarenos… criou-se a tradição de ir buscar um frango ao Ezequiel quando se vai à Nazaré”, conta Carlos Lopes. “As pessoas vão para a praia e gostam de vir buscar o frango à hora de almoço para comer na areia”, acrescenta.

É, precisamente, no verão, com mais incidência no mês de agosto, que as filas que se criam junto à Casa Ezequiel são intermináveis. Há dias em que só nos almoços são aviados mais de uma centena de frangos assados.

Com a pandemia, o ritmo abrandou, mas continuam a sair muitos frangos assados em regime de take-away e, por enquanto, apenas à hora de almoço.

A mulher de Ezequiel sabe que o negócio da família está bem entregue porque, até haver frangos para assar e saúde para trabalhar, a Casa Ezequiel continuará de portas abertas, sob o olhar atento de Ezequiel e Manuela na fotografia exposta na parede.    

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