Quarta-feira, Outubro 7, 2026
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Fotografias de jornalista na guerra partilhadas por Zelensky

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Duas fotografias do jornalista nazareno Rui Caria, que esteve 18 dias na guerra da Ucrânia, em março e abril, e que regressou àquele País na passada quarta-feira, foram publicadas pelo presidente Volodymyr Zelensky no Instagram.
 

Duas fotografias do jornalista nazareno Rui Caria, que esteve 18 dias na guerra da Ucrânia, em março e abril, e que regressou àquele País na passada quarta-feira, foram publicadas pelo presidente Volodymyr Zelensky no Instagram.

As fotografias do repórter acompanham imagens de outros jornalistas e um texto no qual o líder da Ucrânia refere que se defendem “contra o desejo da tirania de destruir tudo o que a liberdade dá às pessoas e aos Estados. E tal luta – pela liberdade e contra a tirania – é bastante compreensível para qualquer sociedade em qualquer canto do nosso planeta”.

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É a segunda vez que o repórter da SIC se desloca àquele país que foi invadido pela Rússia há quase 80 dias. “Não consigo pensar em nada agora. Andamos por aqui a correr de um lado para o outro”, disse o jornalista ao REGIÃO DE CISTER, justificando a indisponibilidade para prestar declarações sobre a situação que está a testemunhar na Ucrânia. 

Num texto de reflexão sobre os 30 anos de carreira profissional, o nazareno desabafa: “A guerra ensinou-me os outros vários lados desta profissão. E, apesar da experiência que me foi dada por lá, em termos jornalísticos, não esquecerei a experiência pessoal destes dias de conflito. A guerra é muitas coisas, vê-se destruição e gente morta no caminho. É o caos criado pelo homem. Já vi muito disso ‘noutras guerras’” e com outras armas, mas foi na imagem de um pequeno gato, que há dias correu por mim a arder, que senti que a guerra é completamente anacrónica e irracional e por isso indizível”.

Depois da primeira incursão que fez à Ucrânia,  e em entrevista concedida à SIC Notícias, Rui Caria descreveu a “guerra surreal” que encontrou naquele país de Leste. Para desenvolver o seu trabalho, o nazareno apontou como primeira dificuldade a barreira linguística. “As pessoas agarram-nos, mas não percebemos o que dizem. Só entendemos pela linguagem corporal que nos estão a pedir ajuda. É complicado porque não podemos dar-lhes nada”, explicou o jornalista, que tem publicado diversas imagens do “ambiente de completa destruição”.

O fotojornalista não escondeu a dificuldade em descrever o que viu, que classifica de “indizível”. “Não há forma de passar o cheiro, os sons, o tremer do chão ou a deslocação de ar quando há ofensivas”, sublinhou o nazareno, que não escondeu o “sentimento de impotência e de revolta”.

Apesar de “eticamente não haver limites impostos por ninguém”, Rui Caria confessou o cuidado que tem em não publicar imagens chocantes de corpos estendidos na estrada. “Poderia mostrar tudo, mas decidi não o fazer”, disse o jornalista, desabafando a incapacidade em “ser isento ao sofrimento alheio”.

 

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