Sexta-feira, Setembro 30, 2022
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Feira de São Bernardo leva mar de gente a Alcobaça

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Não há memória de o rossio de Alcobaça ter estado à pinha, quatro noites consecutivas, como aconteceu durante a Feira de São Bernardo, entre os dias 19 e 22 de agosto.

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“Muito obrigado, Alcobaça. Foi mais uma noite que ficará na minha memória. Eternamente grato”. Foi desta forma que Tony Carreira descreveu o sentimento que lhe ia na alma poucas horas depois do concerto que tinha dado no rossio. “Fui pedida em casamento em Alcobaça. Uma das minhas melhores amigas é de Alcobaça. Este cenário maravilhoso mais parece o de um conto de fadas”. Estas foram algumas das frases mais emblemáticas proferidas por Carolina Deslandes durante a atuação, na passada sexta-feira. Tratam-se de alguns testemunhos dos artistas que atuaram na Feira de São Bernardo, que “brindaram” os milhares de espectadores durante os quatro dias de concertos. Sim, porque Carlão e Gisela João também estavam visivalmente “ligados” ao público. Naquela que foi mais uma prova da devoção que os cantores demonstraram ter para com a plateia. Que foi incansável no brilho que (também) ofereceu ao luxuoso cartaz musical preparado pela autarquia para o (tão ansiado) regresso da Feira de São Bernardo, após dois anos de interrupção devido às restrições impostas pela pandemia.

Entre a passada sexta-feira e a passada segunda-feira, o espaço montado em frente ao Mosteiro esteve repleto de pessoas que deliraram com os concertos ali realizados.

Mas, por mais antagónico que possa parecer, houve espaço para todos. A organização não deixou nada ao acaso e, apesar de todos os espetáculos terem sido de entrada livre, o conceito foi altamente bem estruturado e tudo foi pensado ao detalhe para que questões como a segurança e a comodidade não fossem minimamente beliscadas. E não foram, claramente. Antes pelo contrário. Tal como, de resto, ficou demonstrado pela satisfação das pessoas no final de cada um dos concertos. As opiniões eram praticamente unânimes: além da qualidade musical com que foram brindadas, não havia nada a apontar à organização. A todos os níveis.

Foram quatro noites de concertos e… quatro enchentes. Ainda que sem números oficiais relativamente ao espectadores que assistiram ao vivo ao recital dado por Carolina Deslandes (sexta-feira), Carlão (sábado), Gisela João (domingo) e Tony Carreira (segunda-feira), a verdade é que pode afirmar-se, com grande dose de convicção, que foram várias dezenas de milhares que passaram pelo Rossio.

Com estilos para todos os gostos, envolvendo públicos de várias idades, mas, e acima de tudo, com um sentimento comum: a felicidade. Porque o povo também estava deserto para poder “libertar-se das amarras” que a pandemia ofereceu num passado recente.

“Contas feitas”, todos ganharam. Artistas, público, comerciantes… Sem esquecer, claro está, a região.

Associações serviram milhares de refeições nas tasquinhas

Todos comeram, todos puderam degustar das iguarias apresentadas pelas associações presentes nas tasquinhas e, como tal, o espaço destinado à gastronomia foi (também) um verdadeiro sucesso.
A Câmara de Alcobaça convidou todas as freguesias do concelho a fazerem-se representar no evento integrado na Feira de São Bernardo, sendo que apenas Pataias e Martingança, Aljubarrota e Turquel não conseguiram “equipa” ou associação para participar na iniciativa.

Como tal, todas as outras 10 freguesias do concelho de Alcobaça estiveram presentes nas tasquinhas, sendo que a zona reservada para o efeito, situada numa tenda gigante, na Cova da Onça, esteve constantemente “à pinha”. Foram milhares e milhares os visitantes da feira que almoçaram e/ou jantaram nas tasquinhas, pelo que as repetidas enchentes, durante os quatro dias do certame, aportaram um volume significativo de receita extrordinária para as instituições.

Como aconteceu, por exemplo, com a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Alcobaça, que serviu sensivelmente 7.500 refeições, e cujo presidente sublinhou, em declarações ao REGIÃO DE CISTER, a sua satisfação pela recetividade da população.

“Estamos, de facto, muito felizes. Foram dias de muito esforço, de intenso trabalho, mas a forma como tudo decorreu só pode deixar-nos extremamente orgulhosos. Aproveito para agradecer à Câmara de Alcobaça pela excelência da organização, bem como aos nossos bombeiros e a todos os voluntários que contribuíram para este sucesso. Sendo que, naturalmente, tivemos aqui uma receita financeira interessante para a corporação”, relatou Pedro Pombo.

Outra das agremiações presentes foi o Centro Cultural Desportivo e Social do Casal Velho e o balanço não podia ser melhor. “Correu tudo muito bem. Os jantares foram melhores que os almoços, mas estamos muito satisfeitos. E tudo com produtos confecionados no Casal Velho!”, exultou João Pires, membro da Direção.

Alcobaça prestou o melhor dos tributos a São Bernardo

A opinião era generalizada: “muito bom”. Não se ouvia outra coisa durante os quatro dias do certame. “Eu já não sou propriamente nova e não me lembro de uma Feira de São Bernardo tão bonita como esta”, confessava uma visitante que, na última noite do certame, pass(e)ava mesmo à frente do stand do REGIÃO DE CISTER.

Poucos minutos depois, outra reação de agrado à organização do evento. “Alcobaça pode estar orgulhosa. A Câmara conseguiu levar a cabo uma grande feira”, ouvia-se da voz de um senhor de meia-idade que se aproximava da zona das tasquinhas para aconchegar o estômago.

O “novo” espaço na Cova da Onça foi merecedor dos mais rasgados elogios por quem se deparou com um circuito “amplo, aberto, cómodo e seguro”. “Estão aqui milhares de pessoas, mas não há ninguém que esteja como ‘sardinha enlatada’. O local é ótimo para esta iniciativa, o espaço está extraordinariamente bem concebido e tudo foi pensado em consonância com os anseios da população”, assumia Maria Leonor dos Santos ao REGIÃO DE CISTER.

Por entre os gritos da “pequenada”, que suspirava por mais uma voltinha no carrossel ou por mais uma ficha para os “carrinhos de choque”, havia também conselhos dos mais velhos. “Tiago, já comeste um pacote de pipocas e um saco de gomas. Amanhã, quando voltarmos, dou-te o algodão doce. Não podes comer as guloseimas todas no mesmo dia”, advertia, na tarde de sábado, a mãe de um menino cuja estatura apontava para os 5 anos de idade. Talvez no domingo Tiago tenha visto o seu (forte) desejo realizado…

A orgânica do certame foi, de facto, assinalável. Ao ponto de todos os pormenores terem sido devidamente preparados. Como foi também o caso da limpeza e da higiene. Tanto nos espaços circundantes do recinto, como nas casas de banho instaladas no local.

“Nunca pensei que num evento desta grandeza, com gente que nunca mais acaba, todo o espaço pudesse estar constantemente limpo e higienizado. E até as casas de banho estavam sempre limpas”, atirou uma visitante que se preparava para abandonar o recinto.

Saindo da Cova da Onça, a multidão arrastava-se até à Praça 25 de Abril, pela Rua D. Pedro V, que esteve sempre cheia, para ver os grandes concertos e o espetáculo que o atelier O Cubo preparou naquela artéria. Não restam dúvidas para os milhares de pessoas que visitaram a Feira: a Cova da Onça, que já era uma solução pensada antes da pandemia, foi uma escolha acertada para o regresso da Feira.

E São Bernardo, mítico e eterno padroeiro de Alcobaça, estará, com certeza orgulhoso. Porque foi alvo de um enorme tributo.

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