Quarta-feira, Março 18, 2026
Quarta-feira, Março 18, 2026

A banca, os grandes e nós, os pequenos

Data:

Partilhar artigo:

Há dias, noticiava determinado órgão da comunicação social que “a crise faz aumentar o número de alunos que dependem do Estado”. Fontes análogas dizem também que as grandes empresas, sobretudo da área da energia, da banca e da distribuição alimentar, batem recordes de lucros. 

Embora por pouco tempo, estive ligado à distribuição alimentar. Então, por volta de 1980, havia uma política de preços que previa margens de lucro máximas. E, como a inflação se expressava em dois dígitos, para poder acompanhar a marcha dos preços, era necessário ter uma fatura atualizada que sustentasse a venda a determinado valor. Mesmo assim, o mercado parecia funcionar e os mais aptos conseguiam ganhar muito dinheiro. Porém, hoje, em que assistimos a um parente triunfo do neoliberalismo, tocar no dogma do “Mercado” parece ser o novo sacrilégio das democracias ocidentais.

Mas há mais “tesourinhos deprimentes”: 

Região de Cister - Assine já!
  1. Na UE, são os bancos portugueses os que mais cobram pelos empréstimos à habitação. Enquanto isso, em 2022, cerca de 8000 habitações foram penhoradas por dívidas. À banca, claro – que parece não ter tido problemas em as vender.
  2. Ao mesmo tempo, o meu banco de há muitos anos – o BPI – decidiu abandonar Alcobaça, deixando centenas ou milhares de alcobacenses na necessidade de se deslocarem à Nazaré ou à Benedita para tratarem de assuntos que não podem ser tratados de outro modo (ainda recentemente me aconteceu!). Creio que não foi com este banco que contratualizei uma série de negócios: era português, tinha balcão em Alcobaça, com pessoas que nos habituamos a conhecer e a gostar… Hoje, é espanhol (do mal, o menos: já sabemos que o capital não tem pátria) e não está em Alcobaça. Penso que seria matéria suficiente para que os alcobacenses virassem as costas ao “Caixabank” – não por ser espanhol / catalão, mas por ser desrespeitoso par connosco.
  3. O Banco Alimentar Contra a Fome recolheu, em 2000 mil superfícies comerciais, cerca de 1700 toneladas de alimentos, enquanto, por dia, há mais de cerca de 30 pessoas a pedir ajuda. É, sem dúvida, uma boa causa à qual nunca me consigo furtar. Porém…qual o papel das superfícies comerciais? Não deveriam comparticipar com parte do lucro ganho nesta campanha? É que, desta maneira, a solidariedade de quem pouco tem muito jeito dá ao negócio das grandes superfícies. E não é justo.
AD Footer

Artigos Relacionados

A Casa leva prémio Garrafeira do Ano 2025 para Alcobaça

A Casa, garrafeira situada em plena zona histórica de Alcobaça, conquistou o título de “Garrafeira do Ano 2025”,...

Voluntários recolhem 870 quilos de lixo na Praia das Paredes

Em apenas duas horas, 73 voluntários retiraram 870 quilos de resíduos da Praia de Paredes da Vitória, na...

Município de Alcobaça volta a trocar papel por plantas na cidade e nas freguesias

O Município de Alcobaça volta a promover os “Dias + Verdes”, uma iniciativa dedicada à sensibilização ambiental que...

Atletismo: Beatriz Castelhano convocada para o Campeonato do Mundo

Beatriz Castelhano (Sporting) foi convocada para representar Portugal no Campeonato do Mundo de Pista Curta, que vai decorrer...

Aceda ao conteúdo premium do Região de Cister!