Quinta-feira, Junho 11, 2026
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A banca, os grandes e nós, os pequenos

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Há dias, noticiava determinado órgão da comunicação social que “a crise faz aumentar o número de alunos que dependem do Estado”. Fontes análogas dizem também que as grandes empresas, sobretudo da área da energia, da banca e da distribuição alimentar, batem recordes de lucros. 

Embora por pouco tempo, estive ligado à distribuição alimentar. Então, por volta de 1980, havia uma política de preços que previa margens de lucro máximas. E, como a inflação se expressava em dois dígitos, para poder acompanhar a marcha dos preços, era necessário ter uma fatura atualizada que sustentasse a venda a determinado valor. Mesmo assim, o mercado parecia funcionar e os mais aptos conseguiam ganhar muito dinheiro. Porém, hoje, em que assistimos a um parente triunfo do neoliberalismo, tocar no dogma do “Mercado” parece ser o novo sacrilégio das democracias ocidentais.

Mas há mais “tesourinhos deprimentes”: 

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  1. Na UE, são os bancos portugueses os que mais cobram pelos empréstimos à habitação. Enquanto isso, em 2022, cerca de 8000 habitações foram penhoradas por dívidas. À banca, claro – que parece não ter tido problemas em as vender.
  2. Ao mesmo tempo, o meu banco de há muitos anos – o BPI – decidiu abandonar Alcobaça, deixando centenas ou milhares de alcobacenses na necessidade de se deslocarem à Nazaré ou à Benedita para tratarem de assuntos que não podem ser tratados de outro modo (ainda recentemente me aconteceu!). Creio que não foi com este banco que contratualizei uma série de negócios: era português, tinha balcão em Alcobaça, com pessoas que nos habituamos a conhecer e a gostar… Hoje, é espanhol (do mal, o menos: já sabemos que o capital não tem pátria) e não está em Alcobaça. Penso que seria matéria suficiente para que os alcobacenses virassem as costas ao “Caixabank” – não por ser espanhol / catalão, mas por ser desrespeitoso par connosco.
  3. O Banco Alimentar Contra a Fome recolheu, em 2000 mil superfícies comerciais, cerca de 1700 toneladas de alimentos, enquanto, por dia, há mais de cerca de 30 pessoas a pedir ajuda. É, sem dúvida, uma boa causa à qual nunca me consigo furtar. Porém…qual o papel das superfícies comerciais? Não deveriam comparticipar com parte do lucro ganho nesta campanha? É que, desta maneira, a solidariedade de quem pouco tem muito jeito dá ao negócio das grandes superfícies. E não é justo.
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