Sexta-feira, Abril 19, 2024
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Avaliação de professores: pondo os dedos nas feridas

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Escrevo na contramão de Rimbaud e do seu lamento “par délicatesse, j’ai perdue ma vie” (por delicadeza, perdi a minha vida), sabendo que isso tem um preço.

Vou, pois, entrar num verdadeiro vespeiro. Seria, no entanto, desonesto se, depois de uma vida devotada à gestão escolar e ao ensino, deixasse, por cálculo, as minhas convicções de lado. Portanto, às vespas…
Há dias, um senhor – que fala quase sempre de olhos fechados, como se não precisasse da realidade para pensar – disse o seguinte “Deste modo, os professores com vocação vão-se embora, sendo substituídos pelos desenrascas”

A educação é um sistema complexo, que engole mentes brilhantes, devolvendo-as em supostas imbecilidades e que promove simples poeiras cósmicas (como somos todos, afinal) em astros de primeira grandeza, ainda que momentânea. Na verdade, quando se fala em professores, uma classe que, em verdade em verdade vos digo, não é verdadeiramente avaliada, todos se parecem eriçar, mas todos passam ao lado deste magno problema: avaliação dos professores.

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Porém, quem deveria estar todo eriçado e a partir a loiça toda não eram somente aqueles professores que, tendo vocação, se vão embora – até porque esses casos são marginais. Por isso, temo que seja o inverso: quem está a dar a cara pela causa de uma verdadeira escola pública de qualidade são aqueles que, não se eriçando, protestam, nomeadamente, através de greves não “criativas”, os que têm vocação e, por isso, ficam. Os que estão a dar a cara são aqueles que, “par délicatesse”, não gritam e que o poder, habituado a reagir apenas a soundbytes, não ouve. Os que estão a dar a cara por uma “escola pública de qualidade”, são aqueles que, apenas por serem quase santos, não se rebelam em relação a um sistema de avaliação, baseado, quase só, num relatório de autoavaliação e que, por isso mesmo, não reconhece nem distingue os poucos insuficientes, dos muitos normais, dos bastantes bons e muito bons… No entanto, permite (parto do princípio de que a recuperação de todo o tempo de serviço é uma questão de tempo) que todos cheguem ao mais alto grau da carreira.

É isto correto?

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