Quinta-feira, Fevereiro 29, 2024
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Cistermúsica e outras músicas

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O Cistermúsica decidiu, e bem, subordinar a 31.ª edição à “Música no Feminino” e à celebração dos 150 anos de Sergei Rachmaninoff. A primeira vez que soube da sua existência tinha 15 anos. Porém, nunca tinha ouvido nada dele e assim fiquei até 1986/7, quando o meu querido, e saudoso amigo, e excelente músico, José Sarmento, me disse “compra aquele disco”. Estava na montra da VC, em Braga: era o Concerto n.º 2, op.18, com personalidades desconhecidas: Cécile Ousset, a pianista, Simon Rattle, maestro, que ainda não era Sir, a orquestra de Birmingham e, claro, o tal compositor russo, exilado e triste. Por essa altura, comprei também “Une Histoire de la Musique”, de Lucien Rebatet. O que dizia sobre as poucas obras Rachmaninoff que, ainda, faziam parte dos programas de concertos não deixava espaço para dúvidas: “Antiquados, ocos, não conseguindo, sequer, conservar o seu brilho, são o equivalente de todos os enfeites de segunda mão”. A escolha do Cistermúsica, de algum modo, redime a minha paixão por Rachmaninoff e devolveu-me a suave memória do Zé Sarmento. Diz também que os “juízos finais” não competem aos homens, devendo ser, por isso, cuidadosos. E humildes.

PS1 – Num dos concertos dedicados a Rachmaninoff, além das soberbas prestações de Pavel Gomziakov e Andreï Korobeinikov, quero salientar o papel da “menina que passava as páginas do pianista”: estiveste tão bem, e tão bonita, Beatriz Xavier.

PS2 – Respeito a grande capacidade de trabalho da ex-vereadora da Cultura. Nem por isso agradeço a sua atividade: 1. Liquidou um slogan tão bonito como “Alcobaça – Terras de Paixão” (felizmente reposto) por um inacreditável “Alcobaça – Dê Lugar ao Amor”; 2. Deu existência aos abortados “Cofres do Amor”; 3. Deu o nome “Books & Movies” a um evento que pretendia rivalizar com “Folio”, “Correntes de Escrita”, “Escritaria”. 4. Pior: ao nível do “Programa Integrado e inovador de Combate ao Insucesso Escolar”, dotado de muitos milhões de euros, apenas empoderou os programas camarários, deitando borda fora mais-valias como Salas Snoezelen, Autocarros-Laboratórios, capazes de dotar as escolas do 1º ciclo de espaços para ensino experimental. Foi pena. Para os alunos, desde a Martingança aos Carris.

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