Quinta-feira, Julho 7, 2022
Quinta-feira, Julho 7, 2022

Perspectivas Críticas

A leste, algo de novo: o despertar dos impérios

Gostaria de estar mais otimista. Porém, os últimos desenvolvimentos à volta da  Guerra na Ucrânia não me permitem tal otimismo. Efetivamente, nesta semana, a China deixou-se de meias palavras e afirmou o seu alinhamento pleno com a invasão das Ucrânia pela Federação Russa (FR). O mesmo vai fazendo a Índia. Este meu pessimismo é alicerçado em factos: 1) Em termos populacionais, a China, a Índia e a Rússia somam cerca de 3000 milhões de habitantes, ao passo que o Ocidente,...

Meritocracia, sim ou não?

Muita coisa se passou desde o meu último comentário, fazendo jus à opinião, em forma de poema, de António Gedeão, segundo a qual “o mundo pula e avança/ como bola colorida / entre as mãos de uma criança”. Na verdade, 1) João Rendeiro suicidou-se, perante a quase indiferença geral; 2) a Ucrânia continua a fintar o gigante de pés de barro, ao mesmo tempo que ganha um Festival da Eurovisão que, episodicamente, assume alguma importância; 3) o pensador Michael...

In memoriam Xavier Rodrigues (2004-2022)

Quando, hoje, de manhã, a minha Cidália me despertou para uma “notícia horrível”, lembrei-me imediatamente destas palavras de Fernando Pessoa. É uma maneira de interiorizar...

Slava Ukraini (Glória à Ucrânia)

Valodymyr, mais conhecido por Zelensky, tem 44 anos. É casado com uma linda mulher, Olena, e é pai de Aleksandra e Kiril, dois jovens promissores....

Algumas notas, no começo de um novo ciclo

Porque a “sabedoria” não pode ser etérea, mas tem de se confrontar coma realidade, hoje proponho-vos algumas notas de reflexão sobre o assunto que mais...

Um olhar retrospetivo e um desejo de futuro

2021 EM RETROSPETIVA. Politicamente, este ano fica marcado, internamente, pelo desaparecimento de JORGE SAMPAIO (1939-2021), um político firme, mas bondoso, construtor de consensos. Sempre me...

As escolas não se medem aos pontos (?)

Este foi o título do último programa “Linha da Frente” da RTP. A interrogação é minha, pelo que convido os leitores a uma reflexão sobre...

As mãos de grafite do senhor Chang

Há dias, vi um documentário interessante, “O lado negro das energias verdes”. Penso que todos o deveriam ver; não para concordar ou discordar, mas para...

As rosas de Cabul

As rosas declinam-se de vários modos: ou são sem porquê, como em Angelus Silesius (“A rosa é sem porquê; floresce porque floresce (...)”), ou como...

Os donos do mundo e os seus joguetes

Há cerca de um século, um autor, hoje, quase desconhecido (Oswald Spengler), publicou uma obra que se tornaria leitura obrigatória em cursos em que se...
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E agora, José?

Em 1942, um dos maiores poetas da língua portuguesa, o brasileiro Carlos Drummond de Andrade, escreveu “José”, um dos seus muitos geniais poemas: E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, você? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José? Este poema (de que a parte citada é apenas...

Vitorino, o “Príncipe do Redondo” em Alcobaça

Era uma vez uma menina cega chamada Ana Isa. Um dia, vá lá saber-se porquê, mas é, de certeza, coisa de quem apenas vê com o coração, a Ana Isa descobriu o Vitorino, sim, esse mesmo, um dos nomes maiores da música popular portuguesa, com aspeto de distante, para não dizer coisa menos simpática, mas é assim que nascem...

A tentação da última palavra (ou sobre a mistificação do “Polígrafo”)

A investigação da verdade, a vontade de ler o pensamento alheio, para o controlar deve ser tão antiga como a humanidade. Com o advento da ciência, esta também quis, e quer, dar uma palavra sobre o assunto. E nasceu, assim, o polígrafo: quando uma pessoa é questionada, uma série de cabos e sensores examinam os batimentos cardíacos, a pressão...

In Illo Tempore: Páscoa feliz.

Devo dizer que, como ex-católico tradicional, formado, em grande parte, num seminário de Braga, sempre me identifiquei mais com o Natal do que com a Páscoa. No entanto, sempre percebi que o âmago dos mistérios religiosos estava na Páscoa. Talvez por isso, enquanto que, no Natal, chegava a casa dos meus pais por volta de 18 de dezembro, na...

Lições da pandemia (III)

“Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.” (Álvaro de Campos, Poema em linha reta)   Se eu fosse ministro da Saúde, se, por impensável, me restasse algum tempo livre, pensaria em reescrever este poema de Álvaro de Campos, se o génio me visitasse por engano. E, tal como ele, “invejaria” aqueles que nunca erram, aqueles...

Lições da pandemia (II) O Imperativo categórico da compreensão

Comecei a escrever este texto em modo de zangado, desancando em quem se acha “herói” nesta situação, de contornos épicos, em que um vírus nos colocou. Já ia na terceira enumeração de falsos heróis quando me dei conta do desaforo que estava a promover. De facto, para desgraça, basta-nos a realidade; não é necessário comentário que a potencie. Assim, em...

Lições da pandemia

As épocas de crise não são absolutamente más, embora, intrinsecamente, o sejam. Pelo seu dramatismo, lançam luz sobre domínios nunca pensados – ou pensados displicentemente. Há mais de 200 anos (em 1816), Napoleão, uma personagem de luz e de sombras, afirmou que a China não estava, como parecia estar na altura, votada ao declínio inexorável. E, como súmula do...

Covid e Necrofagia

Os animais necrófagos vivem do que não vive. Às vezes, podem ser mistos, alimentando-se também do que caçam. Mas, sendo o seu core business a “alimentação oportunística”, gostam sobretudo do que os outros predadores deixam. Ou do que apodrece. Por estes dias difíceis, em que a pandemia ataca, em todas as latitudes e em todas as culturas, os necrófagos estão...
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