Quinta-feira, Março 12, 2026
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“Não aparentas ter a idade que tens”, elogio ou etarismo?

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Envelhecer traz um peso social. O desajuste começa. A pressão para disfarçar a idade inicia uma demanda anti-aging, que nos impele a apagar os sinais do tempo para estarmos em consonância com o “padrão”. A partir dos 40 anos, a mulher começa, regra geral, a entrar numa espécie de “hibernação social”. O relógio biológico. O estigma da menopausa. As desigualdades no mercado de trabalho. Atualmente ainda vai persistindo o dogma “idade aumentada, visibilidade diminuída”. Isto acontece devido ao fenómeno etarismo – discriminação etária com base em estereótipos associados ao envelhecimento. Por isso a preocupação com o envelhecimento começa cada vez mais cedo, às vezes, ainda na adolescência. Cirurgias, preenchimentos botox e outros são adotados através de um discurso de aceitação e autoestima, mas, na verdade, são exigência imposta por uma sociedade que padroniza a juventude eterna. As mulheres são as principais vítimas: 86,3% dos procedimentos cirúrgicos são feitos por elas e 13,7% por homens.

Ser mulher e envelhecer é um estigma enorme. Mas são muitas as que já preconizam o “aging with power”. Contudo, quando alguém diz – “Não aparentas ter a idade que tens”, será elogio ou etarismo? A beleza não é privilégio da juventude e a bandeira pelo direito de envelhecer em paz não pressupõe em absoluto o abandono da vaidade, mas o facto é que a mulher deve ter liberdade para envelhecer como bem entende, sem se sentir forçada a agir porque se sente “inferiorizada” pela cultura obcecada pela juventude. Ao invés da demanda “anti-idade” devemos iniciar uma jornada pró-envelhecimento, que previna o declínio físico e mental para que possamos viver rejuvenescidos em qualquer momento. O preconceito inerente ao “aparentar uma certa idade” desconstruir-se-á. A idade biológica será apenas um número, e o nosso reflexo no espelho será retrato de saúde otimizada, seja qual for a idade.

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