Quarta-feira, Fevereiro 11, 2026
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Contradança

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Chegou finalmente o Outono.

Sem tempo para saudades do Verão, pois ainda há duas semanas, o Sol baixo a 30 graus nos queimava a moleirinha. É agora o tempo da pluviofilia, a estação dos que, tal como eu, amam a chuva e o sossego molhado que ela nos traz.

Há melancolia nas gotas descendo o vidro das janelas, encanto no som dos carros sobre o pavimento molhado. Também se arranja espaço, se assim o entendermos, para as atividades sensoriais e intelectuais: um bom livro, uma boa série ou filme, um artigo, ou entrevista num jornal.

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E é nessas linhas que se apanham, indiferentes aos raios baixos de um sol fora de tempo, ou às gotas de chuva, que despencam, malandras, das varandas altas dos prédios e nos entram entre a gola e o pescoço, é nas linhas escritas e vociferadas que apanhamos as contradanças.

Em 2023, não concordamos com nada. Não estamos de acordo em nada. Não concordamos na violência sentimental da guerra no médio-oriente. Preferimos tomar partido, por uns, ou por outros, como se fossemos claque ruidosa num jogo em que todos perdem.

Não aceitamos, muitas vezes só porque sim, ou porque não, a evidência de que vivemos em escravatura fiscal e política no nosso país, prenhe de problemas que preferimos simplificar e varrer para debaixo das lonas das tendas onde tantos, de todas as cores e feitios, vivem em Lisboa e não só.

Não afinamos as vozes nos protestos, não temos a empatia que as gerações futuras nos merecem, iremos, quem sabe, cortar a meta, cansados e tristes, e ainda por cima até o sol se nos foi embora em busca de melhores condições de vida.

Dançamos alegremente como as personagens de Bergman, no alcantil do sétimo selo, finalmente entregues na última morada, não naquela silhueta fatal ordenada pelo cineasta, mas a pisar os pés aos nossos pares, tropeçando nas decisões difíceis da vida e mesmo sabendo que o caminho não será este, para eles caminhamos alegremente, com os bolsos cheios de pedras.

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