Quarta-feira, Maio 6, 2026
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Que temos nós a ver com isto?

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Não pesou a vida da comunidade ou do país, não pesou a relação com o mundo ou com o planeta, não pesaram os valores democráticos. Esta eleição foi o triunfo do individualismo por oposição ao humanismo.

Susana Santos

Trump ganhou as eleições nos Estados Unidos. Tanto hoje, como nos próximos dias, não se falará noutra coisa e muitos perguntam-se o que temos nós a ver com isso. Eu acredito que temos tudo porque o que acontece com o nosso mais importante aliado se repercute em todo o Ocidente. Trump ganhou umas eleições democráticas porque mais de metade dos americanos consideram que este é o homem que lhes dá mais garantias de que a sua vida pessoal, leia-se, a sua vida material, poderá melhorar. E o que entendem estas pessoas que é a melhoria da sua vida? Um rol de benefícios: melhores casas, mais disponibilidade financeira para o consumo e para o entretenimento, mais bens. Não cabem aqui nem a saúde física nem a mental, nem muito menos a paz de espírito ou a paz social. Esta eleição foi decidida por quem pensa na sua vida e a avalia apenas pelo tamanho da sua conta bancária. Nesta decisão não há lugar para o próximo. Não há lugar para o outro. Estas pessoas acreditam que vão ter mais dinheiro e com ele vão poder comer mais comida embalada, vão poder ter carros que gastam mais combustível e comprar écrans maiores lá para casa… como se de personagens do Fahrenheit 451 se tratassem. Não pesou a vida da comunidade ou do país, não pesou a relação com o mundo ou com o planeta, não pesaram os valores democráticos. Esta eleição foi o triunfo do individualismo por oposição ao humanismo.

Até hoje, nós, europeus, acreditávamos fazer parte de um mundo ocidental, democrático, fundado sobre valores de liberdade, igualdade e justiça e criado com base na solidariedade e igualdade entre as pessoas e os povos, para evitar que os flagelos das grandes guerras se repetissem. A partir de hoje parece-me que este ocidente já é só a Europa e que mesmo esta está a atravessar uma profunda transformação moral e social. Que temos nós a ver com isto? Temos tudo porque este é o nosso mundo e é nele que somos obrigados a viver. Estou tão triste.

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