Domingo, Janeiro 25, 2026
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É treta, ou não, afinal?

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A falta de apoios é imensa, é verdade. E estas famílias merecem mais respeito e condições para acompanharem os filhos.

Teresa Radamanto

“A escola não é para todos. É para quem não incomoda, é para os normais (…) A inclusão é uma treta”. Importa refletir sobre o slogan partilhado, por estes dias, por um dos mais notórios autores portugueses da atualidade e vou explicar porquê. O propósito de um slogan é mobilizar massas. Só depois vem a preocupação social. Esta é genuína, por sinal. Mas é necessário tomar tudo isto com um “grão de sal”.

O ambiente na escola é difícil para os alunos com diferenças e para as suas famílias. Toda a gente tem “pena”, mas não é disso que estas pessoas precisam. Precisam de soluções. Precisam de equidade na implementação do que se entende por inclusão. Para muitos, este processo é uma verdadeira treta. É uma farsa que serve todos, exceto quem motivou o seu aparecimento. Vivo a realidade de quem tem responsabilidade direta no cumprimento da inclusão.

Por isso vos digo – temos de conhecer a realidade antes de nos apressarmos a emitir juízos. Conhecimento de causa aliado a espírito crítico é fundamental. Cuidado com equações simplistas, porque nem todas as escolas funcionam de igual modo. A falta de apoios é imensa, é verdade. E estas famílias merecem mais respeito e condições para acompanharem os filhos. Mas é por isso que a escola é o melhor lugar para plantar a raiz da Inclusão. É neste terreno que estão as pessoas que se esforçam todos os dias para tornar isto possível.

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É aqui que estão os profissionais que louvo de coração pela sua luta diária e a quem apelo para que não desistam. São todos assim? Não. Mas trabalhamos diariamente para que isso se modifique. Investir em formação. Difundir informação. Abolir preconceitos. Erradicar por fim com os “Pra quê – não fazem nada aqui”! Saibamos todos que a inclusão é um Direito. Mas a educação inclusiva só existe quando implementada com equidade – quando fomentamos oportunidades iguais para todos, ajustadas às especificidades de cada um.

Não é a inclusão que é uma treta – o que tem sido uma treta é a ausência de um compromisso e de uma visão concertada entre todos os órgãos de poder responsáveis. O meu desejo é que possamos falar apenas de Educação no futuro; parece utópico, mas acredito que esse dia chegará.

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