Restaurar a primeira viatura é mais do que apenas restaurar um carro. É restaurar o passado que a associação carrega, as memórias de que é feita e a homenagem dos que a integram.
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O projeto de recuperação do primeiro carro adquirido pela Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Porto de Mós (AHBVPM) está em curso, com conclusão prevista para este ano de 2026. Trata-se de uma viatura de 1952 que, durante décadas, foi mantida protegida das intempéries em diferentes edifícios, aguardando o momento em que pudesse ser devolvida à sua glória original. Um cuidado que reflete a vontade, sempre presente na associação, de preservar a história da corporação e prestar homenagem a quem a construiu.
A iniciativa partiu da atual direção e envolve uma equipa mista de voluntários, membros da associação e especialistas externos em mecânica e pintura. O processo passou por uma desmontagem total, reparação mecânica e trabalhos de chapa, estando agora em curso a montagem dos interiores, com o objetivo de garantir um restauro integral e fiel ao original.
António José Ferreira, presidente da associação, sublinha o significado profundo do projeto: “Qualquer organização só tem futuro, se valorizar o presente, reconhecendo o passado”. Para o responsável, mais do que recuperar uma viatura, trata-se de prestar homenagem a quem construiu a corporação ao longo das décadas: “Somos o que somos hoje por alguém antes de nós, também deu muito de si em prol desta nobre causa”.
O veículo é descrito como um marco fundamental na história dos Bombeiros de Porto de Mós. Foi nele que a corporação realizou as suas primeiras operações de combate a incêndios e salvamentos, tornando-o um símbolo do espírito de bravura e do legado deixado pelos fundadores. A restauração é, por isso, encarada também como um tributo à identidade coletiva da instituição – um projeto que une gerações em torno de valores comuns de dedicação e serviço à comunidade.
A busca por peças compatíveis com o modelo original não foi tarefa fácil. Houve dificuldades ao longo do caminho, mas o empenho e o conhecimento dos técnicos envolvidos tornaram o processo mais acessível. Chegou mesmo a ser adquirida uma peça mecânica em Inglaterra, fabricada no mesmo ano que o veículo, cuja caixa de embalagem ainda conservava o carimbo do ano de produção – 1952.
O objetivo inicial era concluir o trabalho em 2025, no âmbito das celebrações do 75.º aniversário da associação, mas a dependência de fatores externos acabou por atrasar o processo. No entanto, segundo o presidente da AHBVPM, o mais difícil já está feito e a conclusão está para breve. Depois de concluída, a viatura não ficará parada numa garagem. A direção está já a desenhar parcerias com entidades públicas e privadas para lhe dar uma segunda vida: educacional, recreativa e histórica. “Queremos dar uma nova vida a esta viatura, não operacional como era inicialmente, mas uma vida educacional, recreativa, histórica, ambiental, etc. (…) Para nós, todo este trabalho só faz sentido assim”, afirma António Ferreira.
A preservação deste símbolo físico é também vista como uma ferramenta de inspiração para as gerações mais novas de bombeiros, que poderão assim conectar-se com as raízes e os valores da instituição.
Para memória futura, está ainda prevista uma publicação final que documente todo o processo de recuperação, incluindo os nomes de todos os que contribuíram para tornar este projeto uma realidade. Algo que, para o presidente da associação portomosense, reflete e reforça o vínculo social e a identidade coletiva dos Bombeiros de Porto de Mós: próxima à comunidade e que honra a sua história.


