Saiu do comando por entender que era tempo de dar lugar a outros, mas acabou por regressar poucos meses depois, chamado pelas circunstâncias e pelo sentido de dever. A história de José Augusto Silva nos Bombeiros Voluntários do Juncal é a de uma ligação feita de vocação, continuidade e disponibilidade total para servir uma casa onde entrou ainda jovem e onde foi crescendo até assumir algumas das maiores responsabilidades.
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Há percursos que se fazem de entrega, permanência e profundo sentido de responsabilidade. É esse o caso de José Augusto Silva, comandante em regime de substituição dos Bombeiros Voluntários do Juncal, cuja ligação à corporação atravessa já três décadas de serviço, crescimento e dedicação a uma casa que conhece por dentro e por fora. Bombeiro desde 1995 e funcionário da associação desde 1999, José Augusto Silva é um homem da casa. Natural do Juncal, cresceu com o fascínio pelos bombeiros bem presente desde criança. “Isto é um sonho de criança tornado realidade”, resume. Ver os bombeiros a marchar na vila, ter familiares e amigos ligados à corporação e sentir de perto o ambiente do quartel ajudaram a alimentar um sonho antigo. Entrou aos 20 anos e nunca mais saiu.
O percurso foi sendo construído com gosto, disciplina, esforço e dedicação. Foi crescendo no corpo de bombeiros até assumir o comando entre 2017 e 2023. Quando deixou essas funções, fê-lo por entender que era tempo de passar o testemunho. “Achei que era tempo de dar lugar a outros”, explica. Mas a história acabou por ter outro rumo. Depois da sua saída, o operacional que assumiu o comando também saiu e José Augusto Silva, como elemento mais graduado, teve de voltar a assegurar as funções de comandante, em regime de substituição.
Esse regresso tem sido vivido como uma fase de transição. Desde outubro e novembro, trabalha em paralelo com Carolina, a futura comandante, que terminou recentemente a formação. O objetivo tem sido garantir uma passagem de testemunho sólida, permitindo-lhe acompanhar de perto tudo o que envolve o comando, a organização e a parte operacional da corporação.
Ao falar da função, José Augusto Silva identifica com clareza aquilo que hoje é mais difícil. Mais do que a componente técnica ou legislativa, o maior desafio está na gestão das pessoas, sobretudo num tempo em que o voluntariado enfrenta dificuldades crescentes. “Tem de se ter gosto por isto, pelo voluntariado, pelos bombeiros”, diz. Captar e manter voluntários é, reconhece, uma das grandes preocupações atuais, apesar do esforço que a associação tem feito para criar melhores condições, como a atribuição de seguro de saúde aos elementos do corpo de bombeiros.
A vida nos bombeiros deixou também marca dentro de casa. Pai de três filhos, vê hoje esse exemplo refletido na família. A filha mais velha, de 14 anos, inscreveu-se sozinha no corpo de bombeiros. “Nunca disse aos meus filhos que tinham de ser bombeiros, mas sei que acabei por entusiasmá-los”, confessa. Em casa, a sirene fazia parte da rotina e os filhos chegavam a abrir os portões para tornar mais rápida a saída do pai para o quartel.
Quando a nova comandante assumir funções, José Augusto Silva regressará ao lugar que diz ser o seu: o de chefe da Equipa de Intervenção Permanente. Sem apego ao cargo, fala com naturalidade desse regresso, como quem coloca sempre a missão acima da função.
No fundo, a sua história é a de alguém que realizou um sonho de infância, cresceu dentro dos Bombeiros Voluntários do Juncal e continua disponível para servir a corporação em todas as circunstâncias. E é também por isso que, ao olhar para o seu percurso, faz questão de alargar o reconhecimento a todos os que ajudaram a construir a casa: “Desde os primeiros que lançaram a primeira pedra a todos os que estão hoje, quero parabenizar todos”.


