Leonardo Vieira nasceu e cresceu na Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Mira de Aire. Aos 7 anos integrou a fanfarra e desde então foi no quartel que passou (e passa) a maior parte dos seus dias. Aos 29 anos, é Adjunto de Comando da corporação.
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A paixão de Leonardo Vieira pelos Bombeiros de Mira de Aire nasceu quando, entrou na fanfarra ainda gaiato e por incentivo dos familiares, já com histórico na associação humanitária. Mas a ligação foi tão forte que jamais desapareceu. É, por essa razão, que volvidos 22 anos, continua a fazer daquele o seu lugar de preferência. “O Leonardo é alguém que não vive sem os bombeiros”, confidenciava o mirense ao REGIÃO DE CISTER, explicando por poucas palavras o que significar pertencer àquela casa.
Depois da fanfarra, seguiu-se a passagem pela Escola de Infantes e Cadetes, o estágio, o percurso como bombeiro de terceira, bombeiro de segunda e… Adjunto de Comando, já em 2021. “Quando era bombeiro de segunda gostava muito de tudo o que envolvesse operacionalidade, adrenalina, servir, ajudar. Seja em incêndios florestais ou rurais, acidentes, emergências. Tudo aquilo que era ajudar o outro era, e é, o que me fascina”, confessou, revelando que inicialmente teve dúvidas em aceitar o convite que surgiu mais tarde para desempenhar o cargo de Adjunto de Comando. “Senti que ainda não estava preparado, mas depois de me aconselhar, acabei por aceitar”, contou.
Já depois de identificar as principais dificuldades desde que assumiu o cargo, Leonardo Vieira enalteceu a figura do pai, atualmente sub-chefe, como uma inspiração para o caminho que ainda hoje trilha. “Foi o primeiro bombeiro da família. Teve um impacto muito grande e foi ele que originou o percurso dos filhos nos bombeiros”, recordou, emocionado.
Mas a emoção tornou-se ainda maior quando desafiado a descrever os sentimentos que lhe invadem a alma quando veste a farda: “sinto um orgulho tremendo e que estou a fazer a diferença na vida de alguém. Passar uma semana sem vestir a farda não consigo”, atirou.
Mas o percurso também é árduo. E doloroso. “No verão de 2024, decidi ir de férias em setembro e longe de imaginar aquele fatídico alerta vermelho que nos recordamos. Estava no Algarve quando surgem os incêndios no Centro e no Norte do País. Foi difícil, mas nem pensei: a minha intuição foi ter de ir para o quartel”. Foi o que aconteceu. Leonardo Vieira apanhou o autocarro e voltou à corporação para ajudar. “O meu sentimento estava todo nos bombeiros. Se ficasse de férias não estava bem comigo mesmo. Foi a única forma de me descansar”, relatou. A história mencionada anteriormente exemplifica na perfeição aquela que é a história de devoção de Leonardo Vieira à missão de ser bombeiros. “Se assumimos a responsabilidade de ser bombeiros, não é só de nome. É, sobretudo, de atitude”, notou o Adjunto de Comando.
Na corporação de Mira de Aire, o sentido de altruísmo e o espírito familiar são mesmo requisitos obrigatórios. “Nunca estou preparado para que nenhum bombeiro meu saia em serviço. Aqui dentro, a minha família são todos. Não é a minha namorada, o meu pai, o meu irmão [que também integram a corporação]. Não há distinções”, frisou.
A vida de Leonardo Vieira tem sido inteiramente dedicada aos Bombeiros de Mira de Aire e, é também por isso, que decidiu há três anos ingressar na licenciatura em Proteção Civil. Sempre a pensar na missão de melhorar o contributo enquanto bombeiro. A farda que veste, desde sempre, com um orgulho verdadeiramente desmedido.


