Um incêndio urbano quase adiou o casamento entre Catarina Caçoila e Rodrigo Rodrigues, mas a história encarregou-se de os juntar ao altar em 1998. Desde então, o amor é entre eles e… a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de São Martinho do Porto.
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Dia 31 de outubro de 1998. O aguardado casamento marcava aquele dia para Catarina Caçoila e Rodrigo Rodrigues, agora com 46 e 48 anos. Pelo menos, até ao momento em que um incêndio urbano quase colocou em risco a cerimónia, com os dois bombeiros da corporação de São Martinho do Porto, em locais distintos, a sentirem a missão de ajudar a corporação em mais uma ocorrência. Tiveram de ser “arrastados” para a igreja por familiares e lá trocaram as alianças, que hoje ostentam com orgulho. 28 anos depois, o casamento perdura de boa saúde, tal como o amor à causa comunitária, uma vez que Rodrigo Rodrigues desempenha a função de segundo comandante da corporação da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de São Martinho do Porto e Catarina Caçoila integra o quadro de honra.
“Somos nascidos e criados em São Martinho do Porto. Crescemos juntos e brincámos muito nas ruas. Mas a nossa interação foi a partir do momento em que entrámos para os bombeiros, ainda com 13 e 15 anos”, começou por explicar a são-martinhense ao REGIÃO DE CISTER, revelando que a relação começou pouco depois e o casamento consumou-se volvidos quatro anos.
Sobre os desafios, a diferença sempre foi clara: “é preciso muita compreensão”. “É necessário ter muita confiança, muito apoio mútuo, mas que, quando os dois estão para o mesmo propósito, as coisas funcionam”, explicava a antiga chefe, assegurando que “os altos e baixos” nunca colocaram em causa o dever para com a comunidade.
Mas no meio do caos com que tantas vezes se viram confrontados aquando das suas missões profissionais, há também histórias peculiares que misturam o casamento e o… dever. “O Rodrigo foi meu superior e a relação hierárquica estava muito bem definida. Por vezes, até em casa acabava por seguir o protocolo tal era o hábito já dentro da corporação. Pedia licença para me ausentar, batia-lhe a pala quando tinha de bater…”, brincava Catarina Caçoila, exemplificando com alguns dos protocolos que deviam ser seguidos à risca.
Mas tal como houve momentos bons, houve também alguns receios. Tanto mais porque sabiam a realidade pela qual passava cada um no teatro de operações. “Temos mais noção dos perigos, mas tentamos manter a relação idêntica. Quando falamos um com o outro, preocupamo-nos em saber se está tudo bem, mas também se toda a equipa está bem”, confessou a porta-voz do casal. Até porque a emoção, em certos momentos, também tomou conta do segundo comandante. “É uma vida de dedicação. Tem sido mais vezes a nossa primeira casa”, atirava Rodrigo Rodrigues, emocionado ao recordar o percurso que a família tem trilhado lado a lado com a instituição que os viu nascer para o mundo.
A ligação da família à Associação Humanitária dos Bombeiros de São Martinho do Porto já é bem mais antiga do que a que este casamento faz querer, uma vez que os pais e avós do casal já integravam os quadros da associação humanitária. Mas, e pasme-se, é para continuar. É que o filho do casal [Dinis] já é também bombeiro de terceira, assegurando que o legado irá, por certo, ser prolongado. Quase como se o casamento da família com a missão de ser bombeiro seja mesmo… um amor para a vida toda. Na alegria e na tristeza. Na saúde e na doença.


