Comprar casa no litoral de Alcobaça e Nazaré é cada vez mais caro. Na Nazaré, o preço médio das casas à venda atingia 3.042 euros por metro quadrado em março de 2026, enquanto em São Martinho do Porto o valor mais recente disponível apontava para 2.943 euros por metro quadrado em fevereiro de 2026. Os dois mercados destacam-se na faixa costeira da região e ajudam a explicar porque a habitação surge como uma das fragilidades mais evidentes na avaliação da qualidade de vida no concelho de Alcobaça.
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Segundo o portal Analisa.pt, Alcobaça obtém apenas 39 pontos em 100 no indicador de habitação, um dos valores mais baixos entre as várias áreas analisadas. O dado ganha especial significado quando observado a partir do litoral, onde a proximidade ao mar, a procura turística, a segunda habitação e o alojamento sazonal têm contribuído para pressionar os preços e dificultar o acesso à casa por parte da população residente.
No concelho de Alcobaça, a média do preço das casas à venda rondava os 2.025 euros por metro quadrado em março de 2026, mas esse valor esconde diferenças internas relevantes. São Martinho do Porto surge claramente acima da média concelhia, aproximando-se dos valores praticados na Nazaré, um dos mercados mais valorizados do distrito de Leiria.
Também Paredes da Vitória surge como um caso a acompanhar. Apesar de a amostra de imóveis anunciados ser limitada, os valores disponíveis apontam para preços acima dos três mil euros por metro quadrado, sinalizando que a pressão imobiliária não se concentra apenas em São Martinho do Porto ou na Nazaré, mas se estende a outros pontos da faixa costeira.
Noutras zonas do concelho, os valores são mais baixos, embora continuem a refletir a valorização do território. Alfeizerão apresenta cerca de 1.907 euros/m², Pataias e Martingança rondam os 1.810 euros/m², enquanto Alcobaça e Vestiaria ficam nos 1.679 euros/m². A diferença confirma que o litoral tem uma dinâmica própria, mais exposta ao turismo e à procura de habitação junto ao mar. A valorização imobiliária pode ser lida como sinal de crescimento e atratividade económica, mas também como fator de desequilíbrio social. Por um lado, demonstra que o litoral de Alcobaça e Nazaré continua a captar investimento, visitantes e procura externa, potenciando o crescimento. Por outro, levanta dificuldades crescentes para jovens, famílias e trabalhadores que vivem da economia local, mas enfrentam preços de habitação cada vez mais distantes dos seus rendimentos.


