A memória dos antigos combatentes de Famalicão ficou inscrita no espaço público no dia 25 de Abril, com a inauguração do Monumento de Homenagem aos Combatentes da Freguesia, um dos momentos centrais das comemorações oficiais da Revolução dos Cravos no concelho da Nazaré.
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A cerimónia, realizada pela primeira vez de forma descentralizada naquela freguesia, juntou eleitos, entidades civis e militares, instituições, coletividades e população, num tributo a mais de uma centena de filhos da terra que serviram Portugal.
A obra concretiza uma antiga aspiração da comunidade local e pretende perpetuar a memória de homens cujas histórias de vida se cruzam com a identidade da freguesia e de muitas famílias. Para a Junta de Famalicão, o momento foi de particular significado histórico e institucional, num ano em que se assinalam também os 50 anos do poder local democrático.
Junto ao monumento, a homenagem assumiu uma dimensão que ultrapassou a cerimónia protocolar. O presidente da Câmara da Nazaré, Serafim António, sublinhou que o “monumento é mais do que uma peça física. É um lugar de memória, um espaço de respeito e dignidade”. Já o presidente da Junta de Famalicão, Pedro Marques, lembrou que “uma comunidade que não preserva a sua memória coletiva perde parte da sua identidade”.
A descentralização das comemorações para Famalicão resultou de uma proposta da Junta de Freguesia e foi apresentada como forma de aproximar as cerimónias das populações de todo o concelho. A sessão solene da Assembleia Municipal da Nazaré decorreu naquela freguesia, evocando os valores da liberdade, da democracia e da participação cívica conquistados com o 25 de Abril.
Nas intervenções oficiais, Abril foi recordado não apenas como memória histórica, mas como compromisso presente. Serafim António alertou que “os direitos conquistados não são garantias permanentes. São valores que exigem cuidado todos os dias”. O presidente da Assembleia Municipal, Ricardo Neves, evocou o fim da ditadura e o “reencontro de Portugal com a dignidade”, destacando a importância da pluralidade de opiniões e da participação democrática.
As diferentes forças políticas também ligaram a evocação da Revolução aos desafios atuais. Foram abordadas preocupações com o acesso à saúde, as condições de vida dos reformados, a situação dos pescadores, a habitação, a precariedade laboral, o custo de vida, a corrupção, a desinformação e a necessidade de reforçar a confiança nas instituições.
Depois da sessão solene e da inauguração do monumento, o programa prosseguiu com um convívio no Monte de São Brás, local emblemático que ficou marcado pela devastação provocada pela tempestade Kristin. A escolha do espaço acrescentou simbolismo às comemorações, que celebraram Abril, homenagearam os combatentes e reuniram a comunidade num lugar ferido, mas ainda carregado de memória e pertença. Durante a tarde, o programa prosseguiu na vila da Nazaré, com a homenagem a Álvaro Laborinho Lúcio e uma mesa-redonda no Teatro Chaby Pinheiro.


