Após anos de pouco espaço para tantos alunos e de condições provisórias em salas de aula, a Escola Básica e Secundária Amadeu Gaudêncio, na Nazaré, está mais perto de uma requalificação que a transporte para os padrões da atualidade. A Câmara entregou, no passado dia 12, a candidatura ao financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência para a ampliação e requalificação do estabelecimento de ensino, num investimento global de 4,6 milhões de euros.
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A informação foi avançada pelo presidente da autarquia, Serafim António, durante a reunião de Câmara da passada semana. O edil adiantou que o município está já a preparar o lançamento do concurso público da empreitada, que deverá ocorrer em julho. Se os prazos previstos forem cumpridos, “a obra poderá arrancar em setembro e terá uma duração estimada de 18 meses”.
A intervenção contempla a requalificação do edifício existente, a construção de oito novas salas de aula e de um campo desportivo escolar coberto. Estão ainda previstas melhorias nas condições de utilização dos espaços escolares, incluindo o reforço do desempenho térmico do edifício, uma das componentes consideradas essenciais para garantir maior conforto a alunos, professores e funcionários.
A candidatura surge num contexto de necessidades há muito identificadas. Desde que a Amadeu Gaudêncio passou a integrar a oferta de ensino secundário público, no ano letivo de 2017/2018, permitindo que os alunos do concelho pudessem ali prosseguir os estudos, a população escolar aumentou e as instalações existentes deixaram de responder plenamente às exigências do dia a dia. Para suprir a falta de espaço, a escola teve de recorrer ao aluguer de contentores, uma solução provisória que acabou por se prolongar no tempo.
Apesar da importância da candidatura agora formalizada, o processo avança com reservas assumidas pelo atual executivo. Serafim António repetiu, em várias reuniões do executivo, que o projeto vem do mandato anterior e que, na perspetiva da atual Câmara, já não responde integralmente às necessidades atuais da comunidade escolar. Ainda assim, explicou que não havia margem para recomeçar o procedimento sem colocar em causa a oportunidade de financiamento através do PRR, sujeita a prazos apertados.
O presidente da Câmara anunciou ainda que pretende apresentar ao executivo municipal um relatório cronológico detalhado sobre o processo, de forma a esclarecer as várias etapas percorridas, as decisões tomadas e os constrangimentos técnicos, administrativos e financeiros associados à candidatura.
Para a comunidade educativa, a entrega da candidatura representa um passo decisivo num processo aguardado há vários anos. Mesmo não sendo, segundo o atual executivo, a solução ideal para todas as necessidades da escola, a intervenção permitirá reforçar a capacidade do estabelecimento, melhorar as condições de ensino e reduzir a dependência de respostas provisórias.
A requalificação da Amadeu Gaudêncio é, por isso, uma obra necessária e urgente. E, se o calendário anunciado se confirmar, poderá marcar o início de uma nova etapa para uma escola que tem sido chamada a responder a mais alunos, mais exigências e mais responsabilidades do que aquelas para que foi originalmente preparada e projetada.


