Sexta-feira, 7 de agosto. São 18 horas e uma jornalista do REGIÃO DE CISTER troca o bloco de notas pela pulseira de festival. Destino: Quinta da Cerca do Colégio, em Alcobaça, onde a Casanova, a marca de gin da empresa alcobacense Lemos Figueiredo, decidiu elevar a fasquia e organizar a primeira edição de um festival a que deu nome. A promessa era de que a habitual observação que se impõe a um jornalista na cobertura de um evento fosse transformada numa verdadeira experiência. Assim o fizemos. Como um verdadeiro festivaleiro, mas comprometendo-nos, como sempre, a ser olhos do leitor. As linhas que se seguem é disso exemplo. O da jornalista Adriana Zeferino, no caso.
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Ainda nem dez passos tinham sido dados e já um shot nos esperava. E não, caro leitor, não era de um amigo ou familiar, mas sim o resultado de uma ação de charme da organização, que não perdeu tempo a apresentar a grande novidade da noite: uma vodka nova em folha, servida gelada, mergulhada num cubo de gelo gigante para chegar fresquinha até aos festivaleiros. Era tempo de experienciar, pois claro, e a primeira sensação foi a de que tinha um sabor e características diferentes das habituais. Um travo que fica na boca e que faz desejar por mais.
Mais tarde, e já com a responsável pela organização do festival, Mariana Figueiredo, da Lemos Figueiredo, chegou a explicação: é uma vodka “inspirada no mar do Atlântico”, triplamente destilada e feita à base de arroz do Baixo Mondego. “Quisemos criar um produto com identidade própria, que tivesse uma ligação clara à nossa região”, contou.
Já dentro do recinto, junto ao palco, era possível perceber a disposição pensada para o festival. Numa das laterais, a já conhecida van do gin da Casanova, presença habitual em eventos pela região. Do outro lado, um bar onde se vendia um pouco de tudo, com destaque para as sangrias feitas com fruta fresca, e onde o cheiro dessa frescura [que é tão conhecido], se fazia sentir. A Casanova Vodka entrava em todas elas. Ao fundo, um outro bar exclusivamente dedicado à vodka, com uma carta de cocktails de autor, criados por bartenders, para explorar as características do novo produto: o Casanova Mule, a Caipiroska de Morango, a Vodka Maracujá, o Mojito, o Casanovita e a Vodka Laranja. Houve o cuidado de cruzar a vodka com sabores do território, “nomeadamente através de sumos naturais de maçã de Alcobaça, laranja e maracujá”, tal como revelou Mariana Figueiredo.
O alinhamento musical juntou The Pinneapples, Pagode do Elias, Pharol, Bruna Lennon e 4 Estaciones ao longo de uma noite que se prolongou até às quatro da madrugada. Os Pagode do Elias, projeto do cantor e compositor brasileiro Elias Marra, radicado em Lisboa, trouxeram ao recinto o samba e o pagode que têm vindo a conquistar público um pouco por todo o país.
Já os Pharol, banda alcobcacense conhecida pelas suas reinterpretações de temas conhecidos com arranjos próprios, foram um dos momentos mais apreciados pelo público. De todas as idades, cantaram-se os êxitos de fio a pavio, numa das atuações com mais energia da noite – com direito a Churky a tocar guitarra com os dentes, já perto do final do espetáculo, para delírio de quem assistia. A noite teve também direito a projeção internacional, com a atuação de Bruna Lennon, DJ e artista brasileira com uma carreira que já a levou a palcos em Nova Iorque e que soma passagens por vários países da Europa. Para terminar o cardápio sonoro, os DJ’s 4 Estaciones, também já bem conhecidos na região.
Se a música marcou o ritmo, os sabores do território fizeram as delícias gastronómicas. Foram vários os produtos locais em destaque na zona de street food, com presença da Maçã de Alcobaça, da Pêra Rocha do Oeste, do Atelier do Doce, do Malhado de Alcobaça, entre outros. “Era muito importante que o Casanova Fest não fosse apenas um evento realizado em Alcobaça, mas um evento que falasse de Alcobaça e daquilo que a região tem para oferecer”, sublinhou a responsável pelo festival.
E a presença do território teve também rosto na cozinha. O chef Rui Lopes apresentou-se numa zona de showcooking onde, ao longo de várias horas, confecionou “Porco Malhado em fogo de chão com arroz de paelha”, assando pela primeira vez um porco inteiro, com cerca de 80 quilos em carcaça, sobre lume de chão. “Já tinha assado animais grandes nestas circunstâncias, mas porco nunca tinha feito, trabalhava mais com borregos e cabritos”, contou ao REGIÃO DE CISTER. A preparação começou três dias antes, com o porco a ser temperado numa salmoura. No dia do evento, o trabalho arrancou às 11 horas, com porco malhado a começar a ser servido apenas às 21 horas. Já a Tia Cátia, figura bem conhecida do público, juntou-se à celebração dos sabores locais com uma sobremesa criada especialmente para a ocasião: um gelado feito com a nova vodka Casanova e granola.
Entre o público, as opiniões atestaram o sucesso do festival Maria Rei considerou que estas iniciativas são “uma aposta muito positiva para a zona”. Como principal ponto a melhorar em futuras edições, apontou o tempo de espera nas filas para a comida e para as casas de banho. Confessou que a atuação favorita da noite foi a de Bruna Lennon e destacou ainda a aposta nos produtos locais como uma oportunidade para quem vem de fora “provar um bocadinho daquilo que há na região”. Aliás, a jovem de 26 anos é prova disso, uma vez que, mesmo sendo residente no concelho, nunca tinha provado o Malhado de Alcobaça.
Por sua vez, Miguel Henriques elogiou a organização e enfatizou a zona de puffs na relva como um ponto positivo, “para que os grupos tivessem um momento de descanso e convívio”. Quanto às atuações, elencou o concerto dos Pharol como o “melhor espetáculo da noite”, sublinhando ainda a importância de eventos desta dimensão em Alcobaça, notando que a adesão foi, de facto, intergeracional.
E no final do dia (da noite, no caso), o balanço foi muito positivo. “Foi uma primeira edição marcante e a adesão superou as nossas expectativas”, resumiu Mariana Figueiredo, confirmando que cerca de 1.700 pessoas passaram pelo recinto ao longo do certame. “Mais do que criar um evento, queríamos criar uma experiência e mostrar que Alcobaça tem capacidade para receber, surpreender e acolher eventos desta dimensão e qualidade”, justificou.
E, por isso, a organização não afasta a hipótese de repetir o evento: “Há ainda muitos balanços para fazer e muitos aspetos a avaliar antes de tomarmos essa decisão”, afirmou a jovem empreendedora, acrescentando, no entanto, que “a vontade é muita”. Se haverá ou não uma 2.ª edição do Casanova Fest, ainda ninguém tem a certeza. O que se sabe, no entanto, é que quem pisou a Quinta da Cerca do Colégio já terá uma ideia. Tanto Maria Rei como Miguel Henriques não têm dúvidas de que voltariam, tal como, por certo, muitos outros festivaleiros. E isso só pode significar, para a organização, que o trabalho foi feito.
E bem feito!
texto/fotos ADRIANA ZEFERINO


