Sábado, Março 28, 2026
Sábado, Março 28, 2026

Educação em Portugal – II

Data:

Partilhar artigo:

A Europa perdeu importância estratégica, os “motores europeus” (Alemanha e França) dão sinais de fraqueza.

Gaspar Vaz

Sempre levei muito a sério estudos comparativos sobre a educação. De facto, sem eles, mesmos que criticáveis, nunca saberemos se estamos a fazer bem ou mal, em que direção nos movemos. Por isso, mesmo os primeiros “Rankings das Escolas” sempre mereceram a minha atenção.

No mesmo sentido, com a supervisão de dois grandíssimos quadros do ensino público – “os Nunos”, Profs. Nuno Duarte e Nuno Água – instituí o “Observatório da Comunidade Educativa”. A sua contribuição para a fiabilidade e justiça das avaliações foi reconhecida a vários níveis, sobretudo externamente. Assim, PISA, TIMMS, PIRLS sempre foram bem acolhidos em Cister, fosse qual fosse a cor do governo em causa. Como deverá ser do conhecimento geral, nestes estudos, as escolas não são avaliadas, pelo que o interesse particular não conta.

Desde 2000, os resultados de Portugal têm sido coerentes, oscilando entre os 454 pontos de 2000 e os 472 de 2022. Em termos de rankings, acontece quase o mesmo. Os 454 pontos de 2000 corresponderam ao 23º lugar, enquanto os 472 pontos de 2022 nos deram o 29º lugar. Pelo meio, fica o pior lugar (35º), em 2006, com 466 pontos – bem acima do melhor lugar (23º), em 2000.

Região de Cister - Assine já!

Se quisermos continuar nesta “quantofrenia”, veremos que países comparáveis não conseguiram melhor. A Finlândia, no mesmo período, desce de 5º para 20º lugar, a Noruega, de 13º para o 32º lugar, a Bulgária de 28º para 49º lugar, a Roménia, do 20º para o 45º lugar…. Há, porém, outros resultados que deveriam concitar as nossas preocupações. Neste período, o mundo voltou-se para Oriente: em 2022, os 6 primeiros classificados são asiáticos: Singapura, Macau, Taiwan, Japão, Coreia do Sul e Hong Kong, com a China escondida… A Europa perdeu importância estratégica, os “motores europeus” (Alemanha e França) dão sinais de fraqueza. O Reino Unido ajudou à festa com um Brexit completamente irresponsável e narcísico. Mas a festa continuou com uma mentalidade woke a tomar conta de todas as ocorrências. Convencida da sua superioridade moral, não a discutiu: semanas de 4 dias, pois claro! ; empatia, pois claro!; classificação, que horror, nunca!; avaliação, sim, mas sem testes!; Elites? Está a gozar, não?… No entanto, todos estes valores são afirmados no contexto de uma sociedade cada vez mais desigual.
Agora, como anticlímax, aparece Trump. Ainda iremos a tempo? Claro que sim: proibido é desistir!

AD Footer

Artigos Relacionados

Maiorguense distinguida no projeto nacional 50 Vozes

Inês Costa Louro, de 26 anos, integra a listo do projeto nacional 50Vozes, uma inicativa portuguesa que visa...

Jovens procuram mudar paradigma da educação em África

Tarrafal, Cabo Verde, África. Para Margarida Vicente, 26 anos, natural dos Casais de Santa Teresa, em Aljubarrota, nunca...

Ceeria faz obras de fundo na instituição

A tempestade Kristin deixou marcas visíveis no Centro de Educação Especial, Reabilitação e Integração de Alcobaça (Ceeria). As...

Leonel Fadigas distinguido com o prémio “Identidade e Memória”

O professor Leonel Fadigas foi um dos distinguidos pela Associação Portuguesa dos Municípios com Centros Históricos (APMCH) com...

Aceda ao conteúdo premium do Região de Cister!