A União Recreativa do Bárrio (Urba) chegou aos 50 anos e, num tempo em que muitas associações fecham por falta de voluntários ou de meios, a coletividade resiste e olha para o futuro com ambição. O REGIÃO DE CISTER foi perceber, junto da atual presidente, Sónia Fernandes, o que mantém a coletividade “de pé”.
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A história começa em 1976, quando os habitantes do Bárrio sentiram necessidade de um espaço de convívio. A vontade de desenvolver a terra, criar atividades culturais e desportivas e dar às pessoas um ponto de encontro, levou um grupo de pessoas a criar a Urba.
O início foi humilde: uma sala numa casa antiga, onde se jogava às cartas, onde se conversava ou bebia um copo. Com o tempo, a associação mudou-se para outro espaço (onde hoje existe o café), até que, com o esforço e dedicação dos sócios e da comunidade, foi possível erguer o edifício que hoje se conhece.
Para Sónia Fernandes, que preside a associaçao há 16 anos, a ligação à mesma é antiga e afetiva, já que foi através do seu pai, um dos antigos presidentes, Carlos Fernandes, que ganhou o gosto pelo associativismo. Estar à frente da direção no ano do cinquentenário é, afirma, motivo de orgulho e responsabilidade. “É dar continuidade ao trabalho de muitas pessoas que, ao longo das décadas, dedicaram tempo e esforço à associação. É uma oportunidade de valorizar a sua história”, confessa.
Mas como nem tudo é fácil, ass intempéries dos últimos meses fizeram voar o telhado do salão, impossibilitando as celebrações previstas. No entanto, a garantia é de que a festa acontecerá assim que as condições o permitirem. Segundo a dirigente, as comemorações serão feitas, “convidando todos os antigos presidentes, sócios, amigos da Urba e quem quiser festejar”.
Questionada sobre os desafios do associativismo, Sónia Fernandes não romantiza a situação atual, apontando a falta de tempo dos voluntários e os custos crescentes como os principais entraves. No que toca aos jovens, a presidente reconhece a dificuldade de os atrair: “O associativismo já não tem o mesmo papel de há anos. Os jovens precisam de inovação tecnológica para se sentirem interessados e criar essas infraestruturas não é, neste momento, possível para nós. Mas é importante que percebam que as amizades não se fazem por um ecrã. O engrandecimento enquanto pessoas faz-se na partilha e na interajuda”.
A Urba mantém um papel central na vida da aldeia: acolhe as festas da escola primária, do Centro Social e Paroquial do Bárrio e muitos outros eventos da comunidade. O salão é ainda utilizado para treinos de hóquei e futebol de salão de crianças de clubes locais, bem como para realização de eventos, mediante marcação.
Com o marco dos 50 anos à vista, a direção não quer ficar pela comemoração. Os objetivos passam por “modernizar as instalações, criar espaços mais versáteis para atividades desportivas, culturais e educativas, e reforçar parcerias com outras associações e entidades locais”, afirma a presidente, que ambiciona tornar a Urba “um verdadeiro ponto de referência para toda a comunidade”.
À comunidade do Bárrio, Sónia Fernandes deixa um convite e um desafio: “Continuem a acreditar no poder da união e da participação. Cada gesto, cada ideia e cada sorriso conta. Desafiem a direção com novos projetos, juntem-se a nós. Que os próximos 50 anos sejam de inovação, alegria e solidariedade – e que a Urba continue a ser o coração pulsante do nosso Bárrio”.


