Famalicão vai deixar de depender apenas da resposta municipal em situações de crise e passará a contar com uma estrutura própria de proteção civil, criada para agir mais perto da população quando cada minuto conta. A Comissão Municipal de Proteção Civil da Nazaré aprovou, por unanimidade, a criação da Unidade Local de Proteção Civil de Famalicão, numa decisão que pretende reforçar a prevenção, a preparação e a capacidade de resposta da freguesia perante acidentes graves, catástrofes ou situações de risco.
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A aprovação aconteceu na reunião de 24 de abril, tendo recebido também parecer favorável o projeto de regulamento que define o funcionamento da nova estrutura. O documento encontra-se agora em fase de consulta pública, permitindo à população conhecer e pronunciar-se sobre o modelo que irá organizar a proteção civil ao nível da freguesia.
Ao REGIÃO DE CISTER, o presidente da Junta de Freguesia de Famalicão, Pedro Marques, fala na criação da unidade como “um desígnio” assumido perante a população e resulta da convicção de que as estruturas locais conseguem responder “de forma mais ágil, próxima e eficiente” às necessidades das comunidades. O autarca sublinha que a proteção civil é hoje uma área cada vez mais relevante, face à frequência crescente de fenómenos extremos, defendendo que “é sempre menos oneroso prevenir do que remediar”.
A nova estrutura terá como missão apoiar a coordenação local em situações de emergência, colaborar na identificação e redução de riscos, promover ações de sensibilização e reforçar a articulação entre a Junta de Freguesia, o Serviço Municipal de Proteção Civil da Nazaré, entidades locais, voluntários e população. O autarca de Famalicão explica que existem já pessoas identificadas com experiência e competências em diferentes áreas, mas o processo só avançará após a conclusão do procedimento regulamentar e a publicação do regulamento em Diário da República.
Os riscos no território estão identificados. Vão desde incêndios rurais e zonas de interface urbano-florestal a cheias, enxurradas, fenómenos meteorológicos extremos, acidentes rodoviários, incêndios, riscos costeiros, erosão, queda de arribas e eventual isolamento de populações em cenários de maior gravidade. O presidente da Junta destaca ainda os riscos associados à EN242 e à Linha do Oeste.
A estrutura deverá funcionar sob direção do presidente da Junta de Freguesia, em articulação com o Serviço Municipal de Proteção Civil da Nazaré, e poderá integrar voluntários, colaboradores da Junta e representantes de entidades públicas e privadas com intervenção local. Entre as áreas previstas estão a comunicação e informação, operações e logística, e apoio às populações. A formação será uma das apostas, com ações em suporte básico de vida com desfibrilhação automática externa, primeiros socorros, evacuação, autoproteção e comunicações de emergência.
Além da resposta em caso de emergência, a unidade terá também um papel preventivo, nomeadamente na inventariação de meios e recursos, identificação de populações vulneráveis, definição de pontos de encontro, locais de abrigo e zonas de apoio à população. O Plano Local de Emergência será desenvolvido pela nova estrutura, em estreita articulação com o Serviço Municipal de Proteção Civil da Nazaré, envolvendo entidades locais, associações, IPSS, população e serviços municipais.
Pedro Marques admite que só numa fase posterior será possível avaliar com maior detalhe as necessidades de investimento e meios, mas considera evidente que uma estrutura desta natureza exigirá apoio ao nível de equipamentos, logística, formação e proteção dos voluntários.


