O Turismo de Portugal lançou anteontem, no Castelo de Porto de Mós, a campanha “Não Procures Mais Longe. Encontra o teu País”, uma iniciativa de promoção do turismo interno que convida os portugueses a redescobrirem Portugal e que surge como resposta aos impactos provocados pelas tempestades que atingiram várias regiões no início do ano.
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“Esta campanha resulta, efetivamente, da necessidade de dar uma resposta clara e rápida àquilo que foram as consequências das tempestades de 2026”, afirmou o presidente do Turismo de Portugal, Carlos Abade, durante a sessão de apresentação.
A campanha pretende valorizar aquilo que está próximo, “da natureza ao património, de experiências culturais a vivências autênticas”, muitas vezes a poucos quilómetros de casa. Carlos Abade defendeu ainda que o turismo pode ser um “promotor ativo” da recuperação dos territórios afetados pelo mau tempo.
O presidente do Turismo de Portugal sublinhou o peso do setor na economia nacional, recordando que, em 2025, foram ultrapassadas as 82 milhões de dormidas e gerados mais de 29 mil milhões de euros de receitas turísticas. O turismo interno representa, em média, cerca de 30% das dormidas em Portugal e é considerado estrutural para a estabilidade, crescimento e resiliência do setor.
Carlos Abade destacou também o papel do turismo interno na dinamização das economias locais, na criação de emprego e numa maior dispersão da atividade turística pelo território e ao longo do ano. Para o presidente do Turismo de Portugal, viajar pelo país é também uma forma de conhecer melhor as pessoas, as culturas, as identidades locais e as tradições, ajudando a recuperar “proximidade, identidade e pertença”.
O presidente da Câmara de Porto de Mós, Jorge Vala, valorizou o facto de a campanha ter sido lançada naquele concelho, defendendo a importância de manter a região no centro das atenções depois dos estragos provocados pelo mau tempo. O autarca, que preside também à Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, lembrou que este foi o território mais afetado pela depressão Kristin, a 28 de janeiro.
Apesar da destruição registada, Jorge Vala afirmou que a região “continua a ter o encanto que tinha antes”, destacando a capacidade da população para se reerguer e continuar a receber visitantes. Além de Porto de Mós, a CIM da Região de Leiria integra os municípios de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pombal e Pedrógão Grande.
A campanha assenta na ideia de que o mais importante de uma viagem são as emoções. Por isso, associa sentimentos como calma, aventura, quietude, espanto, certezas ou felicidade ao território nacional, numa abordagem que procura valorizar a autenticidade da oferta turística portuguesa.
“Não Procures Mais Longe. Encontra o teu País” terá duas fases de comunicação. A primeira até junho e a segunda entre setembro e novembro. A divulgação inclui filmes de televisão, spots de rádio e conteúdos digitais dedicados à descoberta, ao bem-estar e à diversidade das diferentes regiões do País.
O incêndio ocorreu num contexto de preocupação acrescida com a acumulação de material lenhoso em zonas florestais, depois dos danos provocados pela tempestade Kristin. O Governo aprovou um regime excecional e temporário para os concelhos afetados pela tempestade e anunciou também uma linha de crédito dirigida a empresas do setor florestal, precisamente para assegurar a continuidade da remoção de material lenhoso nas zonas impactadas.
A existência de árvores caídas, sobrantes florestais e acessos condicionados aumenta o risco e dificulta a intervenção dos meios de socorro, sobretudo em dias de vento. No caso da Boubã, a obstrução de caminhos florestais foi uma das dificuldades apontadas no combate, num cenário agravado pela propagação rápida das chamas e pela passagem do incêndio para o outro lado da autoestrada.
A ocorrência deixa, por isso, um novo alerta sobre a necessidade de manter acessíveis os caminhos florestais e de acelerar a remoção de material combustível nas zonas mais vulneráveis. À entrada do período de maior risco de incêndio rural, a limpeza dos terrenos, a gestão de combustível e a prudência nos trabalhos florestais assumem particular importância.
Depois de dominado o incêndio, os operacionais permaneceram no local em ações de rescaldo e vigilância, de forma a evitar reacendimentos.


