Café Jóia serve de ponto de encontro dos calvarienses

Tomar uma “bica” no Café Jóia faz parte da rotina dos calvarienses há seis décadas.

“Este local sempre foi um ponto de encontro”, conta António Silva ao REGIÃO DE CISTER. Frequenta o estabelecimento desde que foi fundado pelo seu padrinho Bonifácio. Era ali que ia brincar com os amigos e dali guarda “boas memórias de infância”. Hoje vem beber o seu café, ler o jornal, “ver a bola” e “conviver”. Também para Armando Ruivo este local é diariamente paragem obrigatória, há mais de 30 anos.

O Café Jóia, localizado no coração de Calvaria de Cima, em frente ao largo da Igreja de Santa Marta, começou como taberna e mais tarde abriu como café e também serviu de mercearia. Anabela Louro lembra-se bem de ir em criança com a mãe à mercearia, onde se iam abastecer. “Ali encontrávamos desde comida, roupa interior, a artigos de enxoval”, recorda.

Há 14 anos viu a oportunidade agarrar o negócio quando soube que a anterior proprietária do Café Jóia ia deixar a atividade. Manteve o nome do estabelecimento por também ter “Jóia” no seu nome, apesar de não ter qualquer ligação familiar com o fundador. Fez questão de manter as características do espaço, onde se destacam os azulejos da região e o piso em mosaico. Apenas lhe deu um “toque de modernidade” ao pintar as paredes de “verde alface” e um gosto pessoal ao pendurar chapéus de palha da sua coleção.

Anabela Louro vive desde os 7 anos em São Jorge e começou a trabalhar desde os 12 no setor da cerâmica. Ao longo da vida foi trabalhando em fábricas da região. Não se arrepende de ter mudado de vida. Muito pelo contrário. “Gosto do contacto com o público”, refere. “Apesar de nesta fase haver menos movimento, aqui acabo sempre por me distrair e o tempo passa mais depressa”, confidencia.

Anabela Louro abre o estabelecimento de segunda-feira a domingo, às 8 horas, e apenas fecha as portas às 23 horas. À noite conta com a ajuda do marido para conseguir ter um pouco de descanso.

“Por causa da pandemia, encerro o café mais cedo, antes nunca saia daqui antes das duas da manhã”, conta a proprietária. “Com a proibição da venda de álcool a partir das 20 horas, as pessoas acabam por ir para casa mais cedo e não há quase movimento”, lamenta. Apesar da falta de clientes provocado por este momento atípico, a comerciante nunca pensou em fechar portas. “Parar é morrer e, além disso, os custos fixos não param”, nota.

Mas há momentos do dia em que não tem mãos a medir com tanto trabalho. É durante a manhã e no final da tarde que o café tem mais movimento. “De manhã os clientes vêm beber o seu café diário e ver as notícias e à tarde vêm relaxar e tomar uma bebida depois de um dia de trabalho”, revela a “jóia” da casa.