Loja do Sr. Mário impulsiona comércio tradicional em Alcobaça

Depois de vários anos a percorrer a região com “a casa às costas”, Mário Vitorino decidiu abrir a “Loja de Conveniência - Mário & Gabriela” na Rua Araújo Guimarães, perto do centro histórico de Alcobaça. Quase três décadas depois, o alcobacense afirma ter tomado “a melhor decisão”, pois faz agora parte de um grupo de “comerciantes-amigos” que lutam por manter o comércio tradicional vivo na cidade.

O percurso enquanto comerciante começou na década de 1980. “Embora não tivesse muita experiência no ramo decidi começar a frequentar feiras da região, nomeadamente a da Nazaré, para vender alguns artigos. Aprecio o contacto com o público e não há melhor lugar para estar próximo do cliente do que as feiras e mercados”, analisa Mário Vitorino.

Habituada a trabalhar ao lado do marido, também Gabriela Vitorino decidiu abraçar o novo desafio. “Juntos demos início a uma nova etapa. A vida de comerciante não é fácil, mas vivemos histórias muito engraçadas e temos memórias prazerosas de quando percorríamos as feiras da região juntos”, recorda o comerciante de 67 anos.

Todavia, ser feirante é sinónimo de “andar com a casa às costas”, independentemente das condições meteorológicas. O desejo de estabilidade levou o casal a abrir a loja de conveniência em 1995. “Não é fácil montar a estrutura debaixo de temperaturas elevadas, de uma chuva intensa ou de rajadas de vento que ameaçam levar tudo pelos ares. Entendemos que era tempo de assentar raízes em algum lugar e aqui estamos bem”, conta.

Desde então, o espaço é uma referência na cidade, pois os alcobacenses sabem que a “Loja do Sr. Mário e da dona Gabriela”, como é vulgarmente conhecida, tem centenas de artigos e certamente o que o cliente procura. O espaço é, literalmente, um corredor repleto de diferentes produtos, desde molas para cabelo a produtos de limpeza e acessórios de costura. “É uma loja pequenina, mas tem muita arrumação. Temos variedade e procuro ter alguns produtos menos ‘populares’, mas que são já um clássico”, afirma.

E mesmo que o cliente não esteja à procura de nenhum artigo, não hesita em “espreitar” para o interior da loja apenas para desejar um bom dia ao casal. “Sinto-me parte de uma comunidade. Considero os comerciantes da rua meus amigos, pois há largos anos que convivemos. Há brincadeiras, mas também uma palavra de conforto quando a vida prega uma partida”, confessa, Sr. Mário, com orgulho. “O comércio tradicional enfrenta dias difíceis, mas quando as pessoas são amigas tudo é mais fácil”, acrescenta.

Abraçar o comércio foi o passo certo na vida de Mário Vitorino e foi por ver a satisfação dos pais atrás do balcão que a filha do casal optou também por ingressar no ramo. “Passou muito tempo atrás do balcão ao nosso lado e hoje tem um negócio próprio. Quando vamos ao mercado mensal de Alfeizerão já ocupa quase metade da minha banca, mas eu não reclamo pois fico feliz por tê-la a meu lado”, graceja.

Com a vivacidade de um jovem, Mário Vitorino planeia continuar a abrir as portas da loja durante vários anos. Nem que seja apenas para receber o bom dia de quem passa diariamente na Rua Araújo Guimarães.