Quiosque Vicente: todos os dias a dar notícias aos beneditenses

O Quiosque Vicente abriu as portas em 1995 e cumpriu a sua missão durante mais de duas décadas até que a proprietária decidiu fazer obras de fundo na estrutura instalada no centro da Benedita. Em dezembro do ano passado, o estabelecimento reabriu ao público completamente transfigurado, alargando a oferta de serviços, mas com a simpatia que conquistou muitos beneditenses ao longo dos anos.

“O espaço do quiosque estava a ficar algo obsoleto, hesitei no que fazer, mas os meus filhos convenceram-me a avançar com as obras e foram eles que desenharam o espaço. Ficou muito bonito”, assegura Maria de Lurdes Vicente, de 67 anos, professora aposentada que assumiu a gestão do quiosque há 24 anos.

Nascida no Casal dos Ramos, na freguesia da Cela, Maria de Lurdes, como gosta de ser tratada, chegou à Benedita na sequência de uma incrível história de amor. Há 41 anos, apaixonou-se pelo... padre da Cela e nem olhou para trás. Sem apoio da família, decidiram viver em Alvorninha, onde o pároco tinha propriedades. Um ano depois, António Vicente, afastado pela igreja, adoeceu gravemente e uma insuficiência renal tirou-lhe até a visão. O casal encontrou no amor a solução de parte dos problemas que a vida lhes colocou e, ambos professores, adquiriram um apartamento na Benedita.

Seria pela mão de Miguel Guerra que se abriu a possibilidade de a família ficar com o quiosque. Quando António faleceu, em 1993, a escritura “já estava assinada” e Maria de Lurdes ainda pensou em “desistir”, mas o então presidente da Câmara de Alcobaça convenceu-a a ficar com o negócio.

“Tinha três filhos e vendi tudo e mais alguma coisa para ganhar o suficiente para pagar as despesas e também o quiosque, porque não queria abrir ficando com dívidas”, recorda a comerciante, que hoje se orgulha da decisão.

As receitas do quiosque permitiram-lhe criar os três filhos e mandá-los para a universidade. António, Rita e Alexandra já lhe deram cinco netos e Maria de Lurdes Vicente é um exemplo de resiliência.

“A coragem é muito importante para encararmos a vida. Tive um percurso muito duro e não sei como nunca tive uma depressão, mas sou uma pessoa com imensa fé e nunca posso ter medo porque Deus é a minha trave”, assegura a celense, que se refere aos filhos como as três “pérolas”, e todos os dias abre o quiosque, das 8 às 20 horas, a dar notícias aos beneditenses.