Sapataria Lena calça portomosenses há 55 anos

Não fosse a qualidade dos produtos e o atendimento personalizado da Sapataria Lena e certamente não seria possível recuar no tempo 55 anos para contar a história desta casa, localizada no centro da vila de Porto de Mós.

Tudo começou com um pequeno espaço no Largo do Rossio, que estava dividido entre loja e oficina de reparação de calçado. Onze anos mais tarde, o estabelecimento comercial veio instalar-se na Avenida da Liberdade onde permanece até aos dias de hoje. ”Tem sido uma vida inteira dedicada a este trabalho”, confessa o fundador da Sapataria Lena ao REGIÃO DE CISTER. 

António Vala cresceu na Fonte dos Marcos e aos 12 anos foi para a vila “aprender a ser sapateiro”. Quando fez 18 anos, estabeleceu-se por conta própria numa casa da eira do pai que servia para guardar alfaias agrícolas e que mais tarde viria a transformar numa oficina. Guarda religiosamente o primeiro par de criança que produziu: uma bota de inverno em couro natural de cor camel.  

Na Sapataria Lena é possível encontrar calçado e acessórios para homem e mulher fabricados em pele maioritariamente em Portugal. “Damos preferência ao artigo português pela qualidade da matéria-prima e do seu fabrico”, revela António Vala, que gere o negócio com a mulher. Face às alterações do mercado e às novas tendências, foi necessária uma adaptação às novas exigências dos clientes. “Apostamos cada vez mais no calçado ortopédico, diversificado e modernizado, e no artigo desportivo que é procurado em todas as estações e por todas as idades”, avança António Vala. 

A sapataria também se tem adaptado às mudanças dos hábitos de consumo. “Com a abertura dos centros comerciais este negócio sofreu um abalo”, lamenta o responsável. “Além disso, as pessoas hoje em dia preferem a quantidade à qualidade”, nota. No entanto, nem os efeitos da crise pandémica, que têm afetado o negócio com uma quebra de quase 50% nas vendas, fazem os pais do presidente da Câmara de Porto de Mós cruzar os braços. “Não víamos a hora de reabrir a loja após três meses com as portas fechadas”, desabafa Mónica Vala. 

Podem até já não viver a azáfama do Natal de “outros tempos” em que “nem tinham tempo para almoçar”, mas a dedicação e o sorriso ao atender os clientes, que são uma família, permanecem iguais. Apenas lamentam que o negócio não tenha continuidade quando a saúde lhes faltar. Certo é que foi ali que Mónica e António Vala, casados há 60 anos, passaram a maior parte da sua vida, onde garantem continuar a ser muito felizes.