Utentes desesperam com centros de saúde fechados

Na região, há cinco centros de saúde encerrados e dois sem médicos de família. No concelho de Alcobaça estão fechadas três unidades de saúde, no município da Nazaré um centro de saúde está também encerrado e outro encontra-se sem médicos. Já em Porto de Mós, um dos centros de saúde funciona apenas com os serviços administrativos. 

Os utentes de Alpedriz e Montes estão a ser assistidos na USF de Pataias desde o início da pandemia, encontrando-se a extensão de saúde de Alpedriz na fase final de obras, como confirmou ao REGIÃO DE CISTER o presidente da União de Freguesias de Coz, Alpedriz e Montes. Álvaro Santo explica ainda que a extensão de saúde de Coz sofreu igualmente melhorias, nomeadamente com a criação de uma sala de confinamento. Mas, enquanto aquela unidade se mantém encerrada, os utentes de Coz são assistidos na unidade de saúde de Aljubarrota.

Também a extensão de saúde do Pinhal Fanheiro, no Bárrio, permanece encerrado desde que a pandemia obrigou a uma reestruturação das unidades de cuidados primários um pouco por todo o País. Os utentes estão a ser encaminhados para a extensão de saúde da Cela.

Situação idêntica vive-se no concelho da Nazaré, onde o centro de Saúde de Famalicão se encontra encerrado porque falta um funcionário de limpeza. Os utentes da freguesia são atendidos na unidade da Nazaré. Naquele município também o centro de saúde de Valado dos Frades não resolve os problemas dos utentes valadenses. Apesar de estar de portas abertas, a unidade não tem médicos a trabalhar.

Ao REGIÃO DE CISTER, o ACES Oeste Norte refere que “a reabertura das unidades terá lugar logo que seja possível”, salvaguardando que “os utentes têm garantido o seu acesso a cuidados de saúde”. 

Já no concelho de Porto de Mós, a extensão de saúde de São Bento está a funcionar apenas com a funcionária administrativa, pelo que os utentes são encaminhados para o centro de saúde de Serro Ventoso.

Na sequência deste cenário, os centros de saúde que estão em funcionamento estão a atender mais utentes do que é habitual. A este problema juntam-se os constrangimentos provocados pela pandemia. Os utentes da União de Freguesias de Pataias e Martingança e das antigas freguesias de Alpedriz e Montes, a título de exemplo, têm sido atendidos na Unidade de Saúde Familiar (USF) de Pinhal do Rei na via pública através de uma pequena janela. A situação arrasta-se desde o início da pandemia e motivou críticas de cidadãos que apontam a falta de higiene do local. “Até quando a Unidade de Saúde Familiar irá manter esta forma de atendimento? À janela, sem gel, sem desinfeção do parapeito... Instintivamente, sem intenção, os utentes apoiam as mãos, as malas, os braços...”, sublinha Carla Diana numa publicação no Facebook. Ao seu protesto juntou-se a voz de Diana Oliveira, que se manifesta preocupada com “a falta de privacidade” por “ter de enumerar à janela” as suas maleitas à frente de outros utentes.

O coordenador da USF reconhece que não é a situação ideal, mas reforça que “não há outra maneira de fazer atendimento”. Carlos Mendonça sublinha que se trata de “uma situação de crise, que não está perto de melhorar”. O médico responsável explica que a sala de espera, no interior do edifício, se destina a utentes que aguardam consulta.

Atualmente, a janela de atendimento está coberta por uma tenda, que ajuda a dar sombra ao local, mas a chegada da chuva e do tempo frio é vista com apreensão. “Já começámos a tentar resolver o problema”, adianta Carlos Mendonça, que pretende ali colocar uma estrutura que resguarde os utentes. O médico garante que será, entretanto, colocado gel desinfetante, mas sublinha que “as pessoas não devem encostar-se ao parapeito”.