Ao sabor da maré

De parente pobre a heroína

Em contexto profissional foi-me solicitado que partisse de uma perspetiva pessoal, para prestar depoimento acerca do que entendo por Educação À Distância.

Solicitaram que incidisse, em particular, nas práticas pedagógicas das instituições de educação, com as quais tivesse articulado durante o estado de emergência. Um depoimento bem fundamentado deveria esclarecer o conceito de EaD, evidenciar divergências e/ou convergências com as correntes de ensino presencial e retratar a evolução da EaD ao longo do tempo. Devia caracterizar os atores deste processo educativo, atribuindo papéis e responsabilidades; chamar a atenção ao que teimam em considerá-la como parente pobre das modalidades educativas – mostrando-lhes que muitas empresas optam por colaboradores formados em universidades à distância; e claro, retratar o modus operandi das instituições escolares com que me relaciono.

Contudo, decidi focar-me apenas no conceito Flexibilidade, que nunca teve tanto impacto nas nossas vidas. Para quem não esteja familiarizado, quando referimos “flexibilidade” em Ead falamos de flexibilidade económica: economia de tempo proporcionada pelo  assincronismo, e flexibilidade financeira, ou seja, poupanças associadas. Quem vive os desafios advindos da abruta mudança dos quotidianos nunca sentiu com tanta propriedade o significado como agora, em particular, no campo emocional. Ser pai ou mãe; profissional ou aluno à distância nestes tempos atípicos, requer flexibilidade em doses elevadas!

A EaD possuiu vantagens excecionais e como podemos constatar, aquela que outrora era vista com algum preconceito, é agora a salvação. É essencial, enquanto profissional educativo, reconhecer que em EaD a abordagem educativa difere da presencial; não ter isto em conta leva ao cometimento de erros. Para que possamos retirar o maior partido desta pedagogia teremos todos, enquanto agentes educativos, de nos adaptar e não apenas “transitar”. Assim evitaremos  o insucesso de todo este processo.