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Alcobacense “gira” 4.500 discos de vinil numa coleção única

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A primeira edição de “10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte” de José Cid é uma das relíquias da coleção de António Manzarra. O alcobacense tem em casa mais de 4.500 discos de vinil, dos quais mais de mil são de música portuguesa na área do pop, rock e alternativa, o que faz do colecionador um dos maiores do País de música portuguesa.

“Este disco do José Cid foi considerado um dos melhores discos de rock progressivo de sempre“, conta António Manzarra, que deu apenas 1 euro pela raridade e que hoje deve valer “uns 500 euros”. O facto é que o professor de Filosofia nunca chegou a arrumar o gira-discos que tinha em casa. “Quando apareceu o CD, além de ser caro e eu sendo estudante à data não ter dinheiro para os adquirir, continuei a preferir o vinil“, conta o alcobacense, que chegou a fundar a banda “Us forretas ocultos“, juntamente com um grupo de amigos, editando um single em vinil em 1997. 

Já com alguns discos a ocupar espaço em casa, António Manzarra decidiu investir “a sério” na coleção de vinis a partir de 2000. Desde então, que a música portuguesa, alternativa, rock e pop ganharam um lugar cativo nas estantes da coleção do alcobacense. “Tenho coleções inteiras dos Beatles, incluindo as primeiras edições inglesas“, diz António Manzarra, que chega a ter o mesmo disco em versão mono e stereo. “Picuinhices de colecionador”, confessa. Também há discos repetidos na coleção só porque a editora se lembrou de produzir várias cores do disco. “Não são iguais“, brinca. Mas há mais: “se encontrar um disco que gosto muito em melhor estado do que aquele que já tenho compro e troco o outro. Já cheguei a comprar três ou quatro para ter o melhor”. 

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Apesar de hoje em dia o culto do vinil estar mais vivo, o alcobacense aproveitou os tempos em que o CD prosperava para aumentar a sua coleção. “Até 2010 os sótãos foram despejados e foram bons tempos para se adquirir discos de vinil a preço da chuva, mas depois foi-se percebendo que isto afinal até dava dinheiro e o vinil voltou com força, aliado à ideia de que era uma antiguidade e estava na moda“, recorda.

António Manzarra, também ligado ao agenciamento de bandas da região, como é o caso dos Sidewalkers e dos Black Leather, tem por hábito ainda passar música em bares… no seu gira-discos. A agulha continua a tocar no disco que gira e que dá banda sonora à entrevista. Até porque, “CD só no carro“. Percebe-se porquê. 

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