Sábado, Novembro 7, 2026
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ANDRÀ TUTTO BENE! (Tudo vai correr bem)?

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Os italianos são um povo magnífico. Itália é um país de paixão. Porém, tanto o povo como o país estão longe de ser perfeitos. Embora seja uma simplificação dizer isto, sobra-lhes em paixão o que lhes falta em razão. Por isso, em pleno desastre, de dimensões apocalíticas, com cerca de 700 mortos por dia, ainda faz sentido um presidente da Câmara andar pelas ruas e lugares a mandar os “heróis” para casa.

Mas, também por isso, são capazes de, do mais profundo do seu desespero, inventarem slogans esperançosos e vir à janela, pela noite dentro, cantar as suas incríveis canções tradicionais, as árias mais “cantabile” da história da ópera. E, das entranhas do seu desespero, qual cena da commedia dell’arte, ainda cunham esse extraordinário slogan “Andrà Tutto Bene” (“Tudo vai correr bem!”). Mas será que vai?

Nada parece fundamentar tanto otimismo, a não ser que a Europa se repense e se refunda. Se continuar a sonhar com a exportação da indústria e de toda a “manufatura”, tudo vai correr mal, muito mal. Se puser todos os ovos no mesmo cesto (diga-se: China ou, de modo cada vez mais percetível, em países asiáticos e em países “baratos”), tudo vai correr mal, muito mal. Há cerca de 10 anos, circulou nas redes sociais um documento, pretensamente elaborado por um alto quadro chinês, em que dizia que a Europa ainda iria suplicar à China uma malga de arroz. Isso foi, na altura desmentido. Hoje, com o alto patrocínio do idiota mais poderoso deste mundo, circula uma teoria da conspiração, segunda a qual este é um “vírus chinês”. Só um idiota se lembraria de formular esta tese. 

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No entanto, há imagens perturbadoras: uma formidável potência que constrói hospitais em pouco mais de uma semana, aviões cheios de produtos de urgência, rotulados de “ajuda chinesa”; o modo impiedoso como as autoridades chinesas puseram em quarentena absoluta milhões de pessoas; o aplauso de alguns “pensadores” lusos à subserviência/obediência de Macau (que, por via disso e como recompensa, se salvou da epidemia – tal como Portugal, por garça divina, se salvou da II Guerra), por oposição ao pecado do protesto dos cidadãos de Hong Kong (e que, em função desse “pecado”, sofrem as terríveis consequências que se veem)… tudo isso é preocupante.

Por isso, queridos italianos, “andrà tutto bene”? Tenho muitas dúvidas, sobretudo depois da lição perdida da crise de 2008-10. Passados dez anos, já achamos normal que os bancos que nos sugaram, e continuam a sugar, até ao tutano, e não pagaram tudo o que nos devem, distribuam, entre os administradores, chorudos dividendos à custa de todos nós. Já achamos normal que, numa altura de emergência, se preparem para aplicar spreads desonestos à custa do desastre.

Este também é, Sr. Trump e seus sequazes (como os inenarráveis Boris Johnson e Bolsonaro), um perigoso e verdadeiro vírus. E não é (só nem sobretudo) chinês.

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