Quarta-feira, Maio 20, 2026
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O Vírus da Fronteira

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Há duas semanas estávamos a apanhar o avião para Madrid quando, no check in, gerou-se uma algazarra. Todos os que não tinham teste PCR – incluindo portugueses e residentes em Portugal – estavam impedidos de embarcar para Lisboa, onde residem. Trata-se de viagens em trabalho, essenciais e com comprovativos do empregador. Não podem. A DGS/Governo assim o decidiram. O teste custa entre 60 a 170 euros, consoante o tempo do resultado e o laboratório. Trata-se, portanto, de um vírus com classe – quem tem dinheiro pode continuar a trabalhar, quem não tem fica em terra. E fica sem dinheiro porque deixa de trabalhar. Várias destas pessoas trabalham e viajam todas as semanas entre países, a isto acresce que foram impedidas de regressar ao seu domicílio e ao seu país!

O Aeroporto de Barajas já tinha destinado um trabalhador infeliz a ouvir queixas e gritos. Não vou entrar na discussão científica sobre as variantes – muitos defendem que as variantes mais contagiosas são menos perigosas, outros diferem – em Portugal há uma correlação entre o aumento da variante inglesa e a diminuição de mortes. Mas a questão é: como manter a ilusão de que mantendo toda a produção industrial e comércio a funcionar, em sociedades urbanas, seria possível fixar uma fronteira e um passaporte a um vírus?

Todos nos recordamos da fila de camiões, com os camionistas longe da família no Natal, para a EU e o RU medirem forças antes do Bréxit, supostamente contra a variante inglesa, que – um mês depois – já estava espalhada no Continente. Na Baviera e em vários locais na Europa houve mesmo decisões judiciais que impediram a exigência de PCR, demonstrando o óbvio – isso impede as pessoas de trabalharem, e muitas delas vivem e trabalham entre países na EU. A EU que até há um ano não tinha fronteiras…lembram- se? Hoje pede PCR aos seus cidadãos para viajar em trabalho. Isto, claro, em aeroportos. Porque não pude deixar de escutar um Senhor de farda azul dizer “tente ir por terra, não fui eu que disse”.

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