Domingo, Dezembro 4, 2022
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A cápsula do tempo

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Aqui em Alcobaça, no Portugal que não se educa, nem se governa, os professores bibliotecários expõem o tempo, passado, presente e o seu futuro, nas prateleiras ao alcance de todos

Por vezes, temos a tendência de procurar longe o que está tão perto.

Por isso, cansamo-nos pelo caminho e voltamos à solidão do nosso processo, perdendo o gosto e a oportunidade de caminhar e dialogar com os outros.

Quando recebi e aceitei o convite da Rede de Bibliotecas de Alcobaça, para palestrar e apresentar uma oficina de Literatura Fantástica por ocasião do 8.º Seminário Da Arte de Ler, creio não errar ao dizer que ninguém sabia muito o que esperar de mim, nem eu próprio. E, talvez tenha sido esse “mistério” que tenha feito as coisas correrem tão bem, creio eu.

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Se ler é uma arte, partilhar esta arte com os outros, é como um pequeno concerto ou recital, onde para um público menor, aproveitamos a vantagem da proximidade para trocarmos ideias e experiência e, quem sabe, melhorar os nossos conhecimentos enquanto, mutuamente, os expandimos.

Enquanto esperava para começar, na Biblioteca da Escola Secundária Dona Inês de Castro, fui espreitar a parte multimédia e lá encontrei CDs de Moonspell, Mão Morta, Fausto, Gazua, Sebastião da Gama e tive uma sensação de presença rara, que, confesso, já não encontro numa loja de discos (e sua pressão comercial) num shopping. Uma sensação de pertença. De liberdade, de trabalho bem feito.

Se nos EUA, uma nação obcecada pelo fim dos tempos e pela violenta expansão da sua cultura, ainda se enterram cápsulas do tempo nos campus das Universidades, cápsulas que contém música, livros, sementes, objetos; aqui em Alcobaça, no Portugal que não se educa, nem se governa, os professores bibliotecários expõem o tempo, passado, presente e o seu futuro, nas prateleiras ao alcance de todos. 

São os guardiães, como os dos filmes de ficção científica.

Quando se sentirem sozinhos, vão a uma biblioteca. Aproveitem o sossego, a disponibilidade, o trabalho silencioso de tantos que, por nós, por vós, tratam da humanidade que nos resta.

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