Quarta-feira, Fevereiro 1, 2023
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Catar: Que fazer com este mundial?

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Ao contrário de países como a Dinamarca, a Holanda, a Alemanha, a Inglaterra, a Austrália e que me perdoem todos os outros decentes, Portugal mantém-se fiel ao seu tamanho: pequenino, mas à espera de um milagre

Em princípio, jogá-lo, já que não há coragem para mais. 

E poderia haver?
Gianni Infantino, presidente da FIFA desde 26/02/2016, diz que não, qualificando a reação, sobretudo europeia / “ocidental”, de hipócrita, racista e despropositada. 

Portugal, como sempre, não tem opinião própria; está à espera do que os outros dizem / fazem; está à espera de rentabilizar “polémicas parvas” em seu proveito. E, pelo sim, pelo não, envia os seus jokers, Presidente e Primeiro-Ministro, aos coliseus cataris. Em suma, estamos reduzidos à condição da nêspera de Mário-Henrique Leiria: pode ser que uma velha qualquer nos coma… E sempre nos comeram, por inércia e desistências nossas.

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Hoje, ouvi, na Antena 1, a “voz avisada” de um antigo embaixador e ministro dos negócios estrangeiros (António Martins da Cruz) sublinhar as palavras de Infantino: afinal, desde há dez anos, quando foi decretada a realização deste mundial (uma decisão que até o desacreditado responsável, J. Blatter, já reconheceu como tendo sido “infeliz”), nunca foi posta em causa esta decisão…
Não sendo “infantin(h)o”, quero responder a esta miserável visão das coisas, com os seguintes argumentos:

  1. Creio que a outorga de um Campeonato do Mundo de Futebol a um país como o Qatar só daria vontade de rir, não fosse o dito cujo (país) supinamente rico. É claro que é o atual campeão asiático. Porém, só foi possível à força de dinheiro, dinheiro, dinheiro. Onde é que está o passado futebolístico do Qatar? Qais são os seus grandes nomes, os seus grandes clubes? No entanto, deve ter assegurado, no Caderno de Encargos, tudo e tudo e tudo, nomeadamente claques barulhentas e entusiasmadas. As bandeiras são grotescas cópias? Os “adeptos” nem sequer o nome da equipa sabem pronunciar? Não digas mais, Gaspar – dizem todos os infantinos e martins-da-cruz deste mundo – se não queres levar com o selo de racista, cala-te! 
  2. A decisão, pelo que se diz e se comprova, foi há dez anos. Usando de um cinismo positivo, podemos pensar que a decisão teve uma motivação positiva: para além da motivação desportiva (a única que competiria à FIFA), poderia haver a de fomentar uma mudança de mentalidades, nomeadamente o desenvolvimento de atividades desportivas femininas. Porém, em dez anos, nestes domínios, o Qatar marcou passo.
  3. Há dez anos, poder-se-ia pensar que o processo de preparação, nomeadamente da construção das infraestruturas desportivas necessárias, decorreria de acordo com regras universalmente consignadas. Depois de muitos milhares de mortos, de condições de vida miseráveis, vemos que não, vemos que esta realização tem sangue nas mãos. Muito sangue.
  4. Há dez anos, o mundo estava mais seguro. A Crimeia não havia sido anexada. A China não tinha mostrado a sua atual face. A Ucrânia não havia sido invadida, com uma ferocidade que já não se julgava possível entre seres humanos…

Enquanto isto, Portugal não diz nada. Ao contrário de países como a Dinamarca, a Holanda, a Alemanha, a Inglaterra, a Austrália e que me perdoem todos os outros decentes, Portugal mantém-se fiel ao seu tamanho: pequenino, mas à espera de um milagre. Entretanto, Ronaldo vai batendo recordes nas redes sociais.

Que orgulho o meu!

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