Quarta-feira, Novembro 4, 2026
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Voando sobre a tristeza destes dias

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O jovem oftalmologista, para além de transmitir confiança e atenção às minhas queixas, era afável, tratou-me pelo nome, fez-me sentir gente.

Gaspar Vaz

Tenho andado descrente e triste com o futuro que se vê deste presente. Se já havia coisas menos boas para impedir visões de futuros radiosos, Trump conseguiu, pelo menos segundo os meus valores, transformar as dúvidas em dramas, o mal em banalidade – como talvez Hannah Arendt não imaginasse ser possível.

Basta ver as parangonas de hoje do jornal que habitualmente compro e leio: “Marine Le Pen sofre duro golpe”, “Investigações por lavagem de dinheiro triplicam em cinco anos”, “Israel matou 15 socorristas ‘um a um’, acusa a ONU”… Decido, pois, que é tempo de mudar de registo e, assim, do jornal, por hoje, apenas quero as palavras cruzadas e os problemas de Sudoku, enquanto me lembro de coisas boas. E nem foi difícil. Hoje, logo de manhã, tive uma consulta de Oftalmologia, numa clínica em frente ao “Panorama – Pavilhão Multiusos de Alcobaça”.

Eis um excelente motivo para sorrir: estive lá na sua inauguração, confirmando que as potencialidades abertas por este equipamento são muitas, que o responsável pela sua programação sente localmente, mas com muito mundo dentro de si. Que se apague assim, de vez, o triste episódio do Mercoalcobaça.

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O jovem oftalmologista, para além de transmitir confiança e atenção às minhas queixas, era afável, tratou-me pelo nome, fez-me sentir gente. Não custou nada, pois não, Dr. Violante? E, como tivesse uma outra queixa cuja etiologia me era completamente estranha, fui a uma consulta de Medicina Geral e Familiar.

A Dra Marto poderia contentar-se em identificar a razão das minhas queixas – o que fez prontamente. Porém, saindo do gabinete, arranjou maneira de me apresentar ao Dr. Alexei.

Embora estivesse com a agenda preenchida, arranjou um cantinho e, deste modo, já tenho uma pequena cirurgia marcada. Assim, umas “idas ao médico”, por norma coisa aborrecida, transformaram-se em manifestações de serena humanidade.

Obrigado todos. Por isso, “Sursum corda”, cidadãos! Por cima da tristeza destes dias, há sempre razões para continuar a pensar num mundo melhor. Como dizia a ave do poema de T. S. Eliot, “o género humano não pode suportar muita realidade”.

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