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Etiqueta não dá nobreza

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Já os menos bem formados, julgando-se e julgando os demais, conseguem, de uma penada, deitar por terra o que pensam ser a boa educação, confundindo a escala moral com a escalada social

Susana Santos

Há uns dias estive num jantar formal, cujos convidados provinham das mais variadas origens, pelo que me deitei a pensar na enorme confusão que existe entre educação formal e elevação moral. Neste jantar havia de tudo: os muito educados, os autodidatas, os urbanos, os rurais, os ricos e os pobres, os sofisticados e os provincianos e, claro, em todas as categorias, os mal e os bem formados.

Acredito que as regras sociais servem, sobretudo, para unir as pessoas. O protocolo foi inventado para tornar mais agradável a convivência em sociedade; mais bonitas as reuniões; mais previsíveis e harmoniosas as cerimónias. Mas nem toda a gente teve acesso a uma educação formal. Por isso, quando, nestas circunstâncias, se encontram pessoas com maior e menor conhecimento dessas regras, os bem formados ou não identificam quem as transgride ou percebem e, se forem realmente educados, procuram enquadrar os que as desconhecem. Estes últimos fazem-no sem julgamentos e com gratidão por terem tido a sorte de receber formação adequada. Se forem inteligentes, fazem-no com elegância e humor.

Já os menos bem formados, julgando-se e julgando os demais, conseguem, de uma penada, deitar por terra o que pensam ser a boa educação, confundindo a escala moral com a escalada social. Fecham-se no seu sistema de castas, cujos códigos há muito se afastaram das regras básicas da etiqueta e só se encaixam na snobeira. Ora, um snob é alguém sem nobreza, segundo os grémios ingleses. Porém, convém não esquecer que a verdadeira nobreza é a que advém da excelência do carácter.

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E a etiqueta, meus amigos, embora relevante para completar uma boa educação, e tornar mais bonitas as cerimónias, não chega para edificar o carácter. Esse sim, está no sangue e dá nobreza.

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