Terça-feira, Outubro 6, 2026
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Uma fotografia apressada em tempos de férias

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Decidimos ir, nas férias deste ano, aos territórios de Bach, a Turíngia e a Saxónia. Acho que fizemos bem: descobrimos tesouros como Dresden (que não são parte de Bach, mas é uma cidade a descobrir, também por motivos musicais), Leipzig, Weimar, Erfurt (um território dos Bach, mas não de Johann Sebastian), Arnstadt, Mühlhausen, Eisenach… Havia, porém, outros interesses: Bamberg (em revisita), Bayreuth, por causa do Wagner, e, já na Chéquia, Karlóvy Vary e Praga.

Devo dizer que não esperava tanto de Praga e, por isso, a nossa primeira impressão foi indecisa: parecia bonita, mas aquela quantidade de gente poderia dar cabo de toda a magia. Para mim, Praga era sinónimo de Kafka, de Jan Huss, também de Mozart, de Tycho Brahe, Comenius, de Kundera ou de Havel… servida sempre por calçadas nostálgicas cheirando a chuva. E, da Ponte Carlos, fingimos ouvir a obra-prima de Smetana: o “Vlatva”, ou Moldava, que corria debaixo dos seus arcos. Quando vi multidões apinharem-se de frente ao Relógio Astronómico, virando as costas ao monumento a Jan Huss, soube onde estava: estava num destino de turismo de massas, muito mais agressivo que Lisboa. No segundo dia no regresso do Castelo, confrontamo-nos com uma enigmática placa, “Námestí Jana Palacha”.

Com a ajuda das ferramentas digitais, fiquei a saber que aquela praça guardava a memória de um estudante, de 20 anos, que se imolara pelo fogo, em protesto contra a invasão da então Checoslováquia, pelos tanques do Pacto de Varsóvia. Olhando para o lado, vi um casal, comovido, em silêncio religioso. Fiz-lhes um sinal, também comovido, e fui-me embora.

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De imediato, fiquei a sentir que aquilo merecia um registo. Voltei até junto deles, solicitando uma selfie. Disseram que sim. Mais disseram que eram de Liverpool e que ele seria mais ou menos da idade de Jan. Disse-lhes, ainda mais comovido, que ,hoje, nos fazem falta convicções como as de Jan. Concordaram, mais uma vez. Não sei quem são, que nomes têm. Mas tenho saudades vossas, caros amigos improváveis: estarão para sempre na minha memória.

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