As tempestades das últimas semanas, em particular a depressão Kristin, causaram prejuízos relevantes na agricultura do concelho de Alcobaça, com explorações a registarem até 80% de quebras na produção.
Em declarações ao REGIÃO DE CISTER, o presidente da Associação de Agricultores da Região de Alcobaça (AARA) Filipe Ribeiro, explica que os ventos superiores a 100 quilómetros/hora e a chuva intensa provocaram quedas de árvores de fruto, destruição de estruturas de suporte e “estufas completamente destruídas”, comprometendo produções hortícolas, legumes e frutas protegidas, com perdas de toneladas e necessidade de replantação integral. As inundações e estradas condicionadas dificultaram ainda o acesso às parcelas.
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As culturas hortícolas e produções em estufa foram das mais atingidas. “A tempestade Kristin teve um impacto significativo nas culturas hortícolas e protegidas, incluindo estufas e túneis plásticos, cuja integridade foi comprometida pelos ventos fortes e precipitação intensa”, refere Filipe Ribeiro. Também os pomares registaram danos devido à queda de árvores nas bordaduras e a deslizamentos de terras que comprometeram algumas áreas.
A extensão total dos prejuízos ainda está a ser apurada. “Ainda não existe um levantamento final e totalmente consolidado”, sublinha. “Temos produtores com estragos em 80% da exploração e outros com 30%, mediante as culturas”, avança também.
Além de perdas nas culturas, houve danos significativos em armazéns e estruturas de apoio, com comprometimentos estruturais provocados pelo vento extremo, infiltrações e inundações. Foram registadas deformações de estruturas metálicas, fissuras em paredes, destacamento de coberturas e colapsos parciais. A humidade deteriorou produtos armazenados e danificou equipamentos elétricos e sistemas de ventilação. Nas estufas, verificou-se rutura de coberturas plásticas, deformação ou colapso de arcos metálicos, falhas nos sistemas de fixação, danos da irrigação e controlo climático e, em alguns casos, perda total de culturas protegidas.
A situação é mais preocupante nas zonas próximas do Rio Alcoa, Rio Areia e Rio São Vicente, nas freguesias da Cela e da Maiorga, onde há alagamentos prolongados. “O encharcamento do solo condiciona a oxigenação do sistema radicular, podendo originar asfixia radicular e maior suscetibilidade a doenças”, alerta Filipe Ribeiro. Em causa estão sobretudo pereiras e macieiras, podendo verificar-se perdas de produção e impactos nas próximas campanhas.
De resto, estão disponíveis formulários para apuramento dos prejuízos no site da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo. A Associação de Agricultores de Alcobaça presta apoio técnico aos produtores e recorda a possibilidade de candidatura ao PEPAC, na medida C. 4. 1. 3. – “Restabelecimento do potencial produtivo”, bem como outros mecanismos de apoio da Câmara de Alcobaça.
Os efeitos da depressão Kristin fizeram-se sentir em determinadas áreas da agricultura, com prejuízos avultados para os agricultores.

