Entre os próximos dias 13 e 16, a histórica vila de Aljubarrota irá viver quatro dias de autêntica imersão no século XIV, com a celebração de mais uma edição da Aljubarrota Medieval. O REGIÃO DE CISTER esteve à conversa com a presidente da Junta, Élia Pimenta, que antecipou o certame.
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REGIÃO DE CISTER (RC) > Sendo este um evento organizado pela Câmara de Alcobaça, qual é concretamente o papel da Junta de Aljubarrota na sua preparação e realização?
ÉLIA PIMENTA (EP) > A organização do evento é da responsabilidade do Município, com o apoio da Junta. Este é um evento muito importante para Aljubarrota, não só pela sua importância cultural e histórica, mas também pelo impacto que tem na dinamização da freguesia. O papel da Junta passa por reforçar a animação através da participação de entidades locais, assegurar o contacto direto com as associações e
coletividades da freguesia de forma as envolver nos restaurantes e as tascas do evento, promovendo desta forma a gastronomia local, e prestar apoio logístico e de cooperação na preparação e realização do evento.
Uma palavra de agradecimento ao Município de Alcobaça pelo seu empenho e trabalho desenvolvido na organização da Aljubarrota Medieval. Esta é uma iniciativa que só é possível graças à estreita colaboração entre o Município, a Junta de Freguesia e todas as entidades envolvidas.
Agradeço a confiança, o investimento e o compromisso do Município na valorização da nossa freguesia, da nossa História e do nosso património. Esta parceria tem sido determinante para afirmar a Aljubarrota Medieval como um evento de referência, com impacto cultural, social e económico, projetando Aljubarrota muito para além das suas fronteiras.
RC > As associações locais estão presentes com as habituais tasquinhas. Qual a importância desta receita para o funcionamento das referidas associações ao longo do ano?
EP > As tasquinhas das associações são uma parte essencial deste evento. São estas instituições que dão vida ao evento, acolhem os visitantes com o seu trabalho e contribuem para preservar o espírito de comunidade que tanto nos caracteriza. Para muitas coletividades, a receita obtida representa uma importante fonte de financiamento, permitindo suportar as suas atividades ao longo do ano, investir em equipamentos, desenvolver iniciativas para a comunidade e garantir a sustentabilidade do seu
funcionamento.
Mais do que um momento de angariação de fundos, este evento é também uma oportunidade para dar visibilidade ao trabalho das associações, promover o convívio entre a população e reforçar o espírito comunitário. É por isso que a Junta mantém um contacto próximo com as coletividades e incentiva a sua participação, contribuindo para que este seja um evento que beneficia toda a freguesia.
RC > É um evento reconhecido internacionalmente. De que forma é que isso se traduz em benefícios concretos para a freguesia?
EP > O reconhecimento internacional do evento traduz-se numa maior projeção de Aljubarrota além-fronteiras, atraindo visitantes, dinamizando a economia local e valorizando o património histórico e cultural da freguesia. Durante os dias do evento, há um impacto direto no comércio local, na restauração e no alojamento, beneficiando diversos agentes económicos.
Ao mesmo tempo, esta notoriedade reforça a identidade de Aljubarrota como um território ligado à História de Portugal, contribuindo para a sua promoção turística ao longo de todo o ano. É também uma oportunidade para dar visibilidade às associações, às coletividades, aos produtores locais, criando um efeito positivo que vai muito para além dos dias em que o evento decorre.
RC > Qual é o impacto direto do evento no dia a dia dos moradores, a nível de
trânsito, ruído ou ocupação do espaço público?
EP > Um evento desta dimensão tem sempre impacto no dia a dia dos moradores, nomeadamente ao nível do trânsito, do estacionamento, do ruído e da utilização do espaço público. É um assunto sensível e não é consensual, no entanto, os constrangimentos estão concentrados nos dias de preparação e dias do evento e são planeados em articulação entre o Município, a Junta de Freguesia e as restantes entidades envolvidas, procurando minimizar os seus efeitos. Quero deixar uma palavra de agradecimento a todos os moradores de Aljubarrota pela compreensão, paciência e colaboração durante os dias do evento. Sei que vivem Aljubarrota durante o ano inteiro, e que nestes dias lhe tiramos o sossego e privacidade, mas o contributo de cada um é fundamental para o sucesso de uma iniciativa que prestigia a nossa freguesia, dinamiza
a economia local e reforça o orgulho na nossa história e identidade. O empenho e o espírito de comunidade dos Aljubarrotenses são uma parte essencial deste sucesso.
Em contrapartida, o evento traz benefícios significativos para Aljubarrota, dinamizando a economia local, promovendo o comércio, valorizando o património histórico e criando oportunidades para as associações e coletividades da freguesia. O objetivo é garantir um equilíbrio entre a realização de um evento de referência e a qualidade de vida dos moradores, assegurando que estes possam também sentir orgulho em acolher uma iniciativa que projeta Aljubarrota a nível nacional e internacional.
RC > Quais as expectativas para esta Aljubarrota Medieval?
EP > As expectativas são muito positivas. Esperamos receber milhares de visitantes, proporcionar uma experiência de qualidade a quem nos visita e, acima de tudo, afirmar uma vez mais a Aljubarrota Medieval como um dos principais eventos de recriação histórica do país.
Esperamos também que esta edição continue a dinamizar a economia local, a valorizar o trabalho das associações e coletividades, a promover o património histórico da nossa freguesia e a reforçar o orgulho dos Aljubarrotenses na sua identidade e na sua História.
O nosso desejo é que todos os que nos visitem levem consigo uma excelente imagem de Aljubarrota e regressem no futuro, contribuindo para que a freguesia continue a crescer em notoriedade, atratividade e desenvolvimento.
RC > Quantas pessoas estimam receber em Aljubarrota durante estes dias?
EP > Esperamos receber muitos milhares de visitantes ao longo dos dias do evento, mantendo a forte adesão que a Aljubarrota Medieval tem registado nas edições anteriores. O crescente reconhecimento da iniciativa, tanto a nível nacional como internacional, leva-nos a acreditar que voltaremos a ter uma excelente afluência.
Mais do que um número, o que realmente nos importa é proporcionar uma experiência de qualidade a todos os que nos visitam, garantindo boas condições de acolhimento, segurança e animação.
“Convido todos a visitar Aljubarrota Medieval e a viver connosco a História num dos lugares onde ela aconteceu”.
Participantes investem tempo e dedicação
Participar na Aljubarrota Medieval permite às associações obterem financiamento para a atividade anual, mas também obriga a (muita) entrega e dedicação. Seja com as bifanas da associação da Lameira, com a sangria dos escuteiros, com os crepes do Luís ou com as pirogravuras da Inês, a Feira promete convívio e animação, numa viagem à Idade Média. E estas… são apenas algumas das dezenas de entidades no certame.
A Associação Recreativa Lameirense
A Associação Recreativa Lameirense, há quatro anos na Feira, conta este ano com novidades. Além de se apresentar como tasquinha, em vez de restaurante, como nos anos anteriores, a associação aposta na sandes de leitão como a nova iguaria na ementa. E, em poucas palavras, Cláudia Oliveira destaca a importância que o evento tem, referindo que “é uma boa ajuda para a sobrevivência da associação durante o ano” e acrescentando que os visitantes encontrarão “boa disposição e muita simpatia”.
O Agrupamento 1318 – Escuteiros de Aljubarrota
Para o Agrupamento 1318 – Escuteiros de Aljubarrota, trata-se da principal fonte de rendimento e uma “escola de autonomia”. “As crianças vestem trajes medievais, ajudam a decorar e apoiam às mesas”, conta uma das chefes do agrupamento, Sara Silva. Na Taberna do Escuta, há coelho assado, javali, porco no espeto, filhós, café da avó, sangria caseira e pão com chouriço, feito no local, em forno a lenha.
A Pirogravura de Inês Neves
Inês Neves participa desde 2010 com a arte da pirogravura. Residente na Ataíja de Cima, considera a Aljubarrota “a melhor feira medieval do país”. Mas o que é, afinal, a pirogravura? É a técnica milenar de gravar madeira, couro e cortiça a ferro quente. Para Inês Neves, a Aljubarrota Medieval é não só um local de receita, como porta de entrada para encomendas futuras.
Os crepes de Luís Catarino
Luís Catarino, da Ataíja de Cima, participa desde 2017. Aproveitando o pátio da casa de família junto ao recinto, confeciona os crepes ao lume, como antigamente, permitindo as visitantes acompanharem todo o processo. E as últimas horas da Feira parecem ser as preferidas para um crepe, sobretudo entre os jovens, para quem aquele parece ser já um ponto de paragem obrigatória. “Já associam o final da visita à feira a comer um crepe”, conta Luís, sublinhando que o balanço é positivo “não apenas pela receita, mas pela ligação que se cria com os visitantes”.
Programa repleto de atividades
Com gastronomia da época, recriações históricas, espetáculos de fogo e carrosséis medievais, o evento promete ser ponto de encontro de [muitas] famílias e amigos. O programa foi pensado ao detalhe e cada dia do evento destaca uma figura central de 1385, moldando os torneios e cortejos em torno da sua história.
Quinta-feira, Dia de D. João I
O programa arranca a 13 de agosto, sob o signo do Dia de D. João I, com abertura de atividades a partir das 11 horas na Escola Básica, através de oficinas de arco longo medieval e com o acampamento de falcoaria e répteis instalado no Largo de S. Vicente. O início oficial do evento está marcado para as 18 horas, no Largo do Pelourinho. Ao cair da noite, as atenções concentram-se na Liça do Terreiro da batalha com a Dança dos Três Falcoeiros, às 20 horas, seguida pelo grande torneio em honra do monarca com justas a cavalo, às 20:30 horas. A noite encerra com o teatro “Tratado do Amor em Tempos de Guerra”, no Pelourinho, e com a exuberante produção “Glória e Honra”, pelo grupo ADOREA, às 22 horas, novamente na liça do Terreiro da Batalha.
Dia de Dom Nuno Álvares Pereira
No dia 14, a festa é dedicada a Dom Nuno Álvares Pereira e ganha uma forte componente pedagógica e participativa. Na Liça, mestres artesãos orientam oficinas de ofícios históricos que incluem arte de correeiro, tinturaria, coquinaria e tecelagem, com sessões de manhã e ao final da tarde. O público jovem pode experimentar o batismo equestre de infanções, também na Liça, às 16:30 horas, seguindo-se o teatro de marionetas “Dona Inês de Castro”, no Largo da Padeira, às 17:30. Depois, uma solene homenagem com deposição de coroas de flores nos monumentos da vila, às 18 horas. O período noturno volta a encher as bancadas do terreiro com o torneio de cavalaria e armas em honra do Santo Condestável, culminando novamente na encenação da equipa ADOREA.
Dia da Padeira de Aljubarrota
O sábado homenageia a lendária Padeira de Aljubarrota e mantém o ritmo das oficinas criativas e de aprendizagem ao longo de todo o dia. Para além do desfile contínuo de figuras nobres a cavalo, trocadilhos de rua e acrobacias, a componente espiritual ganha destaque às 20 horas com a celebração da missa e procissão na Igreja dos Prazeres. No plano do entretenimento, a Liça recebe o torneio em honra da Ala dos Namorados às 20:30 horas, acompanhado por exibições itinerantes e pela reposição das grandes produções cénicas no Largo de São Vicente e no recinto principal de combate.
Dia da Batalha de Aljubarrota
O grande ponto alto das festividades está reservado para 16 de agosto, consagrado como o Dia da Batalha de Aljubarrota. O Campo de Batalha. O momento mais aguardado de todo o evento acontece às 18 horas, com a monumental recriação histórica do confronto militar entre portugueses e castelhanos, com os combatentes trajados a rigor. A celebração da vitória faz-se depois em marcha coletiva com o cortejo pelas ruas da vila, às 19 horas, terminando com teatro de rua, às 21 horas, e uma grande festa de encerramento, às 22 horas, no Largo do Pelourinho. A não perder.


