Poucos saberão, mas a vivacidade de monumentos como o Mosteiro dos Jerónimos, o Padrão dos Descobrimentos, a Basílica da Estrela, o Teatro de São Carlos, a embaixada do Vaticano, todos em Lisboa, a Sé do Porto e o Cinema Batalha, o Convento de Cristo, em Tomar, o Convento de Nossa Senhora da Esperança e a Igreja de São Pedro, em Ponta Delgada, a Igreja de São Francisco, em Évora, e a Igreja Matriz, na Graciosa (Açores) tem “mão” de uma alcobacense. Trata-se de Anaísa Franco, conservadora-restauradora que celebra este ano duas décadas de carreira a manter viva a identidade de espaços verdadeiramente emblemáticos e representativos da história de Portugal.
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“O gosto pela arte sempre fez parte da minha existência, mas querer ser conservadora-restauradora surgiu já na adolescência, quando pesquisava mais sobre as áreas que gostaria de seguir no futuro”, recordou ao REGIÃO DE CISTER, contando que, numa primeira fase até acabou por licenciar-se em… Design Gráfico, em Tomar. Ora, durante o período académico, a alcobacense, de 44 anos, residiu com três estudantes do curso de Restauro e a vida acabaria por trocar-lhe as voltas. “O bichinho sobre a área ficou cada vez mais evidente e voltei a estudar”, justificou.
Desde então, o caminho profissional da alcobacense é feito de “casa às costas”, uma vez que os trabalhos que realiza a obrigam a deslocar-se para os locais durante vários dias. Ainda que ao fim de semana, seja uma exigência voltar ao “centro do Mundo”, que é, como a própria sublinha, a sua “Alcobaça”.
Sobre o ofício, Anaísa Franco refere que “é um trabalho muito gratificante”, notando, todavia, algumas dificuldades inerentes: “trabalhamos expostos a muitos químicos e posições desconfortáveis”. “É um trabalho duro, mas vale a pena”, enfatizou a foliã que não falha um Carnaval na “terra Natal”.
E são as saudades de casa, e também a vontade de abrandar o ritmo, que a fazem já pensar no futuro: “acho que a data vai-se aproximando, mas ainda não defini bem o caminho que quero seguir depois”, antecipou, assegurando que, caso não fosse conservadora-restauradora, teria enveredado pelo caminho do Design Gráfico, em que também se licenciou e no qual vai efetuando trabalhos “pontuais”.
Se o futuro de Anaísa Franco passará pela referida área ninguém sabe, mas o que é certo é que, por enquanto, continuará a ser na conservação e restauro, missão que tem desempenhado ao longo das últimas duas décadas e que tão importante é para a longevidade de monumentos que são património da longínqua história do país à beira-mar plantado.
Não fosse o Mosteiro de Alcobaça – que também ajudou a conservar e que servirá, por certo, de inspiração sempre que volta a casa –, um dos monumentos mais icónicos. E aquele que Anaísa Franco elegeu como o trabalho mais marcante: “o que tenho mais orgulho foi ter feito parte da equipa que executou o restauro do fresco da Sala das Conclusões do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça. Não só por ser o ‘meu’ monumento, mas também pela qualidade da pintura que apresenta cartelas entre uma decoração de ferroneries e brutescos”, rematou a (orgulhosa) “filha da terra”.

