O projeto dos Bairros Comerciais Digitais de Alcobaça entrou numa nova fase de desenvolvimento e começa agora a dar os primeiros passos no terreno. A iniciativa, que tinha arranque previsto para setembro, avança agora com um objetivo claro: captar comerciantes e incentivá-los a aderir a uma estratégia de digitalização do comércio tradicional.
Este conteúdo é apenas para assinantes
O objetivo passa por criar uma ponte entre o comércio local e o mundo digital, contribuindo simultaneamente para combater a desertificação comercial no centro da cidade e para dar maior visibilidade aos negócios alcobacenses.
Um dos pilares do projeto é a criação de um marketplace, uma plataforma online que permitirá aos comerciantes vender os seus produtos de forma simples e acessível. Através desta ferramenta, qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, poderá adquirir produtos das lojas aderentes, abrindo novas oportunidades de internacionalização para o comércio local.
Como exemplo, um comerciante que venda chita de Alcobaça poderá disponibilizar os seus produtos na plataforma e recber encomendas de clientes internacionais, que terão depois acesso a um sistema de entregas assegurado por uma empresa de transporte de envios para todo o mundo.
O projeto prevê também a instalação de um locker no mercado municipal. O equipamento funcionará como um cacifo automático onde os clientes poderão levantar as suas compras a qualquer hora e dia, uma vez que estará disponível 24 horas.
A equipa responsável pelo projeto, coordenada por Joaquim Pescada, já identificou cerca de 210 comerciantes. Alguns já manifestaram interesse em aderir à iniciativa. Nesta fase inicial, o foco está sobretudo na divulgação do projeto e na sensibilização dos comerciantes para as vantagens da participação.
Em breve será lançada uma plataforma de adesão onde os comerciantes poderão formalizar o seu interesse em aderir ao marketplace. Durante os primeiros três anos, a plataforma será totalmente gratuita. Os comerciantes apenas terão de aderir, sendo o restante processo tratado pela equipa de gestão do projeto.
O trabalho de identificação e contacto com os comerciantes está a ser desenvolvido em colaboração com a Associação Comercial, de Serviços e Industrial de Alcobaça (Acsia), em colaboração com o gestor do projeto. Tendo em conta que parte do tecido empresarial local é composto por comerciantes mais envelhecidos ou com menos contacto com as novas tecnologias, a equipa estará também no terreno para prestar apoio no processo de inscrição e adaptação às ferramentas digitais.
Para além da vertente tecnológica, o projeto prevê ainda várias iniciativas destinadas a dinamizar o comércio local. Entre as ações previstas estão a criação de conteúdos digitais, entrevistas com comerciantes e atividades ligadas ao turismo, como roteiros gastronómicos, caças ao tesouro e outras experiências que valorizem o comércio tradicional.
Apesar de o projeto já ose encontrar em fase de implementação, ainda não existe uma data concreta para o seu arranque pleno. Para já, a prioridde passa por envolver o maior número possível de comerciantes e preparar o terreno para o funcionamento do Bairro Comercial Digital de Alcobaça.
Na reunião de câmâra da passada segunda-feira, o presidente da autarquia, Hermínio Rodrigues, mencionou que este projeto só funciona se o executivo estiver em “em parceria com os comerciantes”, já que este projeto é um projeto para eles.


