Fénix é a prova de que os animais são fiéis. Que um ser de quatro patas também pode ser parte da família, que também proporciona experiências, que também é, ele, amor.
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No quartel da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Alcobaça (AHBVA), há um elemento da equipa que não usa farda, mas que ninguém esquece. Chama-se Fénix, tem três anos, é uma pastora alemã, e conquistou, de forma absolutamente natural, um lugar no coração de toda a corporação e da comunidade que a rodeia.
A história começou em 2023, e dá seguimento a uma vontade de ter sempre uma mascote de quatro patas na associação. Doada por um bombeiro, a Fénix é, até aos dias de hoje, companheira fiel de todos os heróis da paz daquele quartel.
Tem um lugar próprio na dinâmica diária do quartel. O seu dia inclui o passeio matinal, as brincadeiras com quem por lá passa e a ronda pelos espaços das instalações, sempre à espera que alguém a leve a explorar o exterior. Conhece a vizinhança – e os cães vizinhos –, e é presença garantida em caminhadas que se realizem nas proximidades, para as quais é frequentemente convidada.
Existe uma bombeira que é a sua principal tratadora e a relação entre as duas é de total cumplicidade: “A nossa cadela cumpre as ordens da bombeira na íntegra, seja no quartel seja no exterior”, refere o comandante da associação, Leandro Domingos.
Apesar de não ter treino operacional, já que é uma cadela de companhia, o comandante não esconde a admiração pelas suas capacidades: “Não temos dúvidas de que se fosse treinada seria uma excelente operacional em várias áreas, nomeadamente no resgate”, disse.
Entre as histórias que já protagonizou, há uma que ficou na memória de todos. Num dia aparentemente normal, Fénix não parava de ladrar junto ao parque de viaturas, chamando a atenção da sua tratadora com um comportamento incomum. Após alguma insistência, acabou por se dirigir para uma das ambulâncias. Dentro dela, estava um gatinho bebé. “Graças à Fénix, o gato teve um final feliz e foi entregue a um novo dono. É um episódio simples, mas reflete o quanto os animais são grandes exemplos”, sublinha.
De entre muitos momentos e memórias vividas, há outro que os bombeiros descrevem com carinho: sempre que soa a sirene e a equipa sai para uma ocorrência, a Fénix fica no quartel, em alerta, a espreitar pela saída, aguardando o regresso dos operacionais sem se afastar, mesmo quando as portas estão abertas. Isso, por si só, demonstra também o espírito de missão que a caracteriza.
A presença da Fénix extravasou rapidamente as paredes do quartel. Os vizinhos perguntam por ela, os visitantes fazem-lhe uma festa mal chegam, e há crianças que pedem aos pais para passar pelo quartel
especialmente para a ver. “Os filhos dos nossos bombeiros, sempre que cá vêm, querem brincar com a Fénix! E isso reflete a confiança que ela transmite”, sublinha o comandante.
Para os bombeiros mais antigos, a cadela evoca memórias de outras épocas. Nas décadas de 70, 80 e 90, a corporação teve vários pastores alemães, todos com o nome de Dick. “A Fénix faz-nos regressar ao passado, em especial aos bombeiros mais antigos que se recordam dos anteriores existentes”, recorda ainda Leandro Domingos, observando em Fénix uma forma de manter viva uma tradição da casa.
No fim de contas, o que Fénix representa vai muito mais além do que qualquer descrição consegue capturar. “A maioria que convive com a Fénix vai recordar-se da alegria que ela transmite quando nos vê. Recebe-nos sempre com carinho. Isso marca, fica para sempre”, conclui o comandante.


