Viver entre Aljubarrota e Lisboa para trabalhar naquilo que ama. É assim a vida de Maria Rei, de 26 anos, licenciada em Comunicação e Média pelo Politécnico de Leiria. A jovem trabalha hoje como consultora estratégica na Adagietto, uma agência de comunicação em Lisboa, e dá em simultâneo os primeiros passos na própria empresa, a SaySo. A distância entre a vila natal e a capital não a demove: é o preço, que aceita de bom grado, de trabalhar naquilo que ama.
Este conteúdo é apenas para assinantes
A inteligência artificial veio com tudo. E na área do marketing digital, trouxe vantagens, mas também trouxe desafios. Por isso mesmo, o REGIÃO DE CISTER foi perceber, junto desta jovem, que convive todos os dias com esta transformação, como é trabalhar num ramo em constante evolução.
O marketing de influência é uma estratégia digital que utiliza criadores de conteúdo com alto poder de convencimento nas redes sociais (como Instagram, TikTok e YouTube) para promover marcas e produtos. Baseia-se na confiança entre o influenciador e os seguidores, sendo essencial escolher parcerias alinhadas com os valores da marca para aumentar a notoriedade e as vendas.
A chegada da inteligência artificial acelerou processos, automatizou tarefas e trouxe consigo novas plataformas que estão a mudar a forma como marcas e criadores de conteúdo se encontram. “A entrada da inteligência artificial no marketing de influência trouxe mudanças muito rápidas e significativas e representa simultaneamente um desafio e uma oportunidade para quem trabalha nesta área”, afirmou, em entrevista ao REGIÃO DE CISTER. Plataformas como a Brinfer, a Primetag ou a Social Talk são já ferramentas de trabalho correntes, permitindo pesquisar criadores de conteúdo, analisar métricas e até lançar campanhas diretamente nas plataformas digitais.
Mas nem tudo são vantagens. A automatização de tarefas que antes exigiam análise humana começa a colocar em causa algumas funções mais operacionais da profissão. “Isso pode levar a que algumas funções mais operacionais deixem de ser tão valorizadas ou passem a ser vistas como facilmente substituíveis por tecnologia”, admite. Há ainda um risco mais subtil: o de tornar o processo demasiado mecânico, assente apenas em números, esquecendo fatores como a autenticidade e a criatividade.
É precisamente aí que, na sua perspetiva, reside a resposta ao desafio. “A principal forma de mitigar estes riscos passa por reforçar aquilo que a inteligência artificial não consegue substituir: a componente humana e estratégica.” Por muito sofisticada que seja a tecnologia, continua a ser necessário alguém que conheça profundamente a marca, que entenda os seus valores e que saiba gerir relações e expectativas, tanto com clientes como com criadores.
O percurso de Maria Rei é, em si mesmo, um exemplo dessa adaptação constante. Começou na área comercial, focada na ligação entre marcas e influenciadores, e foi evoluindo para uma função cada vez mais estratégica, acompanhando o crescimento natural do setor.
Hoje, olha para a inteligência artificial sem alarme, mas também sem ingenuidade. O futuro, acredita, pertencerá a quem souber trabalhar com a tecnologia: “os profissionais que conseguirem aprender a trabalhar com estas tecnologias serão aqueles que se vão destacar, transformando a tecnologia numa aliada e não num obstáculo”.
Para quem pensa entrar na área, a mensagem da jovem é de abertura e persistência: o mercado continua a crescer, as oportunidades continuam a surgir e há cada vez mais espaço para quem tiver vontade de aprender, acompanhar as tendências e não desistir ao primeiro obstáculo. E o segredo de Maria Rei, que vive, literalmente, separada entre dois mundos, talvez seja esse, não desistir daquilo que a faz sentir feliz e realizada: o marketing de influência.


