António Catarino quer partilhar histórias e eternizar momentos

Foi na fotografia e na escrita que o beneditense António Catarino, licenciado em Sociologia, encontrou a verdadeira paixão. Aprender com os erros e celebrar, modestamente, as pequenas vitórias são o lema deste autodidata.

A paixão pelas artes surgiu desde tenra idade, embora só anos mais tarde tenha sido identificada como tal. António Catarino recorda que “desde muito pequeno tentava fazer os próprios livros de histórias aos quadradinhos, depois de ler revistas de banda desenhada”. A fotografia aliou-se a este desejo “de cristalizar essa vontade de transmitir as minhas emoções a outros”. Partilhar o conteúdo produzido, quase em segredo, começou de forma tímida e através da partilha em blogues na internet. 

A inspiração provém das pessoas que o rodeiam, das viagens que faz, dos livros que lê, dos filmes e séries que “consome”. “A vontade de me meter dentro da ‘pele’ dos outros e perceber por que razão agem como agem ou fazem as coisas que fazem é o motor de muitas das histórias que conto”, afirma. 

Toda a vida viveu na Benedita e acredita que a vila tem um grande “peso” nas suas criações. “Foi na Benedita que me fiz homem, que aprendi o que era o mundo e que construí a minha identidade. A Benedita está sempre lá, mesmo quando não está fisicamente”. “Tudo o que faço acaba por ser um reflexo da Benedita, tal como sempre a vivenciei”, confessa. A vila serviu, precisamente, de inspiração para a sua mais recente exposição “K de Korrodi, B de Benedita” onde, através de quatro trípticos com base na arquitetura da Casa dos Almeidas, o fotógrafo apela à preservação do edíficio “património da Benedita”. O trabalho estará patente no Safary Caffé até 18 de abril.

Para o beneditense, “Panteão”, texto que venceu o Books & Movies 2017, é o trabalho pelo qual tem mais carinho. “Seria sem dúvida a escolha para o meu cartão de visita artístico”, sublinha. Embora seja um fascinado pela arte que pratica diariamente, António Catarino revela que os desafios são diários e que a internet é uma das “culpadas” pelas adversidades. “A internet veio democratizar algumas áreas criativas. Nunca houve tantos fotógrafos com a possibilidade de mostrar o seu trabalho nem nunca foram publicados tantos livros de novos autores. Essa explosão criativa trouxe muitas coisas boas, mas também obriga a subir cada vez mais a bitola de qualidade. Hoje não chega ser bom”, defende. Mas esta “competição” é um dos fatores que torna o trabalho do autor melhor ao longo dos anos.  

É com orgulho que afirma ser fotógrafo e autor e não equaciona afastar-se da arte para assumir “um posto mais seguro e mais lucrativo”. “Foi um duelo difícil comigo, embora não me arrependa minimamente da decisão que tomei. Ser freelancer nem sempre é tão seguro quanto gostaria, mas é um preço pequeno a pagar para desenvolver as atividades que me realizam”, conclui.