Cartão branco mostrado a dançarino Bernardo Venceslau

O alcobacense Bernardo Venceslau foi o primeiro atleta, na modalidade de Standard de competições de dança desportiva, a receber um cartão branco. Para o dançarino, o gesto reconhecido pela Federação Portuguesa de Dança Desportiva, que visa enaltecer condutas eticamente corretas praticadas por qualquer agente desportivo, não foi mais do que “uma solução criativa para garantir a segurança de uma adversária”.

O momento inédito em competições da modalidade aconteceu a 1 de março, no âmbito do “Portugal Open Championship”, quando a adversária de Bernardo Venceslau rasgou o vestido na parte inferior, o que poderia colocar em causa a sua performance ou até mesmo a sua permanência na competição. “Ela estava disposta a continuar a prova, mas era óbvio que a sua performance seria prejudicada. Num raciocínio rápido, criei uma solução bastante simples, mas eficaz e original que garantiu a permanência da dançarina na prova”, recorda.

O dançarino, de 23 anos, recorda ao REGIÃO DE CISTER que a competição prosseguiu com normalidade até ao final, momento em que os atletas foram convidados a permanecer em palco. “Ficámos todos muito confusos com aquela indicação. Lembro-me dos meus colegas a olharem uns para os outros e do público, que olhava atentamente para todos”, conta o jovem. “Sem que nada fizesse esperar, o júri revelou a decisão de congratular o meu gesto com um cartão branco. Confesso que naquele momento a minha mente ficou vazia, fiquei sem palavras e verdadeiramente emocionado ao ver o público, júri e colegas de pé a aplaudir”, revela o alcobacense.

Dias depois do dia histórico para o dançarino e para a modalidade desportiva, Bernardo Venceslau ainda tem dificuldades em verbalizar o sentimento. “É um momento que vou sempre recordar. Uma sensação indescritível, principalmente porque foi um gesto tão inocente que pensei ter passado despercebido a grande parte do auditório”, assegura o dançarino, que recentemente recebeu a medalha de prata do Campeonato Nacional na modalidade de Standard, ao lado do seu par, Maira Caires.

“Fico satisfeito por ser o primeiro galardoado com o cartão branco, mas ficaria ainda mais feliz se este momento começasse a ser recorrente no desporto. A ética tem vindo a diminuir e os atletas estão demasiados focados na competição, ignorando valores e o respeito pelo adversário”, desabafa.

Na mesma competição, também o talento profissional do jovem foi distinguido. Em conjunto com o seu par, o alcobacense alcançou uma medalha de prata na competição, preparando-se para enfrentar campeonatos mundiais e europeus. “São muitas horas de trabalho investidas, mas é uma paixão pela qual estou disposto a enfrentar adversidades”... e que até já valem um cartão branco.

Fotografia: João V Alves - Dance photo